PT281 – uma questão de peso e de aventura

Não tenho escrito aqui, mas preciso do meu próprio feedback motivacional para os 281kms da PT281 que decorrerá no fim de Julho. Já pendurei um calendário na parede com a fatídica data de 26 de Julho de 2018. Se dissesse que acredito que consigo chegar ao fim da PT281, mentia.

Ainda não acredito e sou realista. A desistência aos 130 e tal kms no UTMB de 2017  por dores num joelho deixou algumas marcas. Mas também sinais positivos. Conseguia correr – sentia-me francamente melhor do que na Ehunmilak por exemplo. Os problemas gástricos foram menos graves do que no MIUT. Não tive bolhas.

Mas depois disso, por questões pessoais, parei de treinar muito tempo. E desmotivei. Ganhei peso. Estou com 81.5kgs e 18% de massa gorda, longe dos meus 75kg e 13%. Estou até pior em parte do que quando comecei a correr, embora o meu corpo não tenha nada a ver, ou seja, obviamente que corro mais – antes não aguentava nem 2kms  – mas simplesmente estou com um chassis mais pesado. Não consigo regularidade. Ando com má vida. Descentrado da corrida. Agitado. É como se quisesse resolver em poucos dias o treino de meses. Mas também não consigo facilmente regularidade por questões profissionais e familiares. É difícil ter um plano estável, uma rotina. E basta uma quebra na rotina para regressar à estaca zero na motivação.

Mas inscrevi-me na PT281 à procura de ser salvo porque é precisamente por não acreditar que consigo que a levo mais a sério. Também me permite um tipo de treino não técnico, próximo de casa e focado em long runs em vez de corridas diárias regulares – que não consigo fazer. Esses treinos longos devem ser explorações, coisas mais épicas, viagens, ligações entre localidades e afins.

Um dia, com o coração pesado, resolvi correr e fiz 37kms sofridos e voltar. Uma espécie de desespero. O meu amigo Joao bem gozou comigo.
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Sofri imenso, mas consegui e senti-me bem depois, no dia seguinte quase nenhuma dor.

Tenho reparado que a máquina ainda cá está, simplesmente parece afogada neste chassis gordo. Ontem num treino de 16kms igualei sem querer o meu PR na avenida das forças armadas, um segmento perto de casa que já corri 11 vezes.

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Aconteceu o mesmo noutro segmento em Monsanto, uma rampa bastante longa. Ai forcei para passar 3 BTT’istas e passar por eles na subida e  fiz o meu segundo melhor tempo nesse, por alguns segundos, o que surpreendeu porque me sinto como um elefante.

E quando vejo o meu PR nesse segmento, foi em junho de 2015, na era Transvulcania… Se por um lado podia ficar deprimido por estar pior em 2018 do que em 2015, a verdade é que o meu corpo era outro. Por curiosidade fui ver quanto pesava e qual a minha % de body fat nessa altura e cá está, estava nos mínimos.

fat

Portanto, aqui reside a minha fé para a PT281. Desde que li o Racing Weight do Matt Ftizgerald que sei isto, o peso é o melhor previsor da performance. Tenho a convicção que se descer dos 18% de massa gorda para os 12-13%  e perder uns 7 ou 8 kg, vou descobrir que sou um corredor melhor que em 2015, porque entretanto fiz milhares de kms e ascendi milhares de metros…

Mas essa transformação implicará algumas coisas com que vou ter de lidar. O tempo mudou e os dias estão mais compridos. Isso ajuda um pouco. Ontem fiz 16kms de manhã e da parte da tarde 9kms a puxar a minha filha no atrelado, algo impossível sem estes dias mais compridos e luminosos. Espero manter o foco e assim que puder, focar-me em mais treinos muito longos a baixo ritmo .

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3 thoughts on “PT281 – uma questão de peso e de aventura

  1. Uau! PT281, muito fixe. Como é que medes a massa gorda, é naquelas balança que se segura uma coisa?

    1. A balança é uma da marca Tanita que se liga directamente a um garmin 610. Mas penso que essas balanças existem na worten sem esta complicação. Só usam os pés, é subir lá para cima. E resulta. Não quer dizer é que o valor absoluto seja fidedigno comparado balanças mais profissionais onde se segura algo, mas a tendência ao longo do tempo é o que importa!

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