Ano 2017 – objectivos MIUT e UTMB

Pois é, bati no fundo, mas fui salvo por um pequeno milagre que foi ter sido sorteado para o UTMB, com o meu amigo João (inscrevemo-nos em conjunto). Não o esperava, era a nossa primeira tentativa. Hesitei antes de me inscrever porque sentia que 2017 não ia ser um ano em que eu estaria no topo da forma e o UMTB é para mim uma prova que se resume a competir. Naquela zona há provas bem mais “sossegadas” e que permitem absorver a natureza e as vistas com outra tranquilidade que não a de milhares de corredores do mundo inteiro. Sempre me vi como explorador de provas mais exóticas e interessantes. O UTMB era uma que queria fazer quando estivesse no topo da forma, à custa de correr provas um pouco por todo o mundo. Contudo, apareceu já, por isso em Setembro quero ser o melhor corredor que alguma vez fui.

Estou assim inscrito nos Abutres (dia 28 de Janeiro), no MIUT (22 de Abril) e no UTMB (1 de Setembro).

O ponto de partida é duro. Meses sem correr muito, apenas um ou outro treino, Estou com 5 quilos a mais face ao meu racing weight. Massa gorda nos 15.5%-16% quando já esteve nos 12%. Sinto-me dolorosamente pesado, cheio de banha na barriga, algo que sinto mexer quando corro ou pedalo. Não foi só não correr. No treino de estrada para a maratona o foco foi sobretudo em velocidade. Deixei pois de fazer treinos gigantes de 4 horas em ritmo baixo que ajudam a torrar calorias. Ainda hoje de manhã com este frio e vento fui treinar e foi um pouco triste ver um pace de 5:45 com o coração a 160bpm, ou seja, muito lento. Um pouco cansado porque mesmo assim fiz 28km com 1700m de desnível em Sintra no domingo e porque andei com a minha filha de bicicleta para a escola dois dias consecutivos, o que significa 8kms de cada vez a puxar um peso considerável no reboque cougar chariot, apanhando umas subidas interessantes na belavista. Mas tudo isso foi graças ao UTMB, à pressão.

Com os Abutres já aí à porta, vou sofrer bastante, mas vou encarar como um treino longo. Mesmo no treino deste domingo não acabei “bem”. As pernas já recuperaram a resistência ao desnível mas com mais quilos em cima e muito em baixo de forma, não dá para em pouco tempo inverter isto. Uma coisa importante que percebi – já vou tendo alguma experiência e registo de dados – é que o meu declínio aconteceu em duas coisas específicas. A primeira foi o ganho de peso e perda de alguma massa muscular, o que tem um impacto tremendo. Outra foi a desregulação metabólica. O meu corpo perdeu a capacidade que tinha de metabolizar gordura rapidamente quer devido à ausência de treinos muito longos e lentos – algo próprio das ultras e que não treino desde a Ehunmilak, quer pelo sedentarismo e maus hábitos da pausa após a maratona do Porto. Assim, tenho quebras de energia constantes e fome durante um treino. Já estou a recuperar, ontem quase não jantei e hoje em jejum fiz 8km clássicos sem sentir uma quebra. Tenho de ver coisas positivas nesta pausa, o meu corpo por outro lado recuperou. Já não tenho dores no entorse que tinha há um ano no pé esquerdo por exemplo.

O ajuste de contas com o MIUT devia ter bastado para me motivar, mas não chegou. Faltava um sinal divino e o sorteio do UTMB foi esse sinal. Em poucos dias fiz mais transformações que em muito tempo antes. Cortei com álcool e bebidas açucaradas já faz quase 3 dias e planeio consumir apenas em ocasiões especiais (jogos do Benfica) e sociais . Treino algo todos os dias: corrida, bicicleta ou ioga / exercícios de core. Voltei a fazer o meu próprio pão enriquecido – hoje foi farinha integral com muesli de avelãs, passas e manteiga de amendoim. Só janto proteína e vegetais. Introduzi bloqueadores de acesso a websites e à internet com uma aplicação chamada SelfControl para me fazer aproveitar mais o tempo em que estou sentado numa secretária para trabalhar e reduzir ao mínimo as distrações e ter mais tempo físico (de 1h em 1h levanto-me e faço algo físico). Criei um calendário numa aplicação chamada Asana onde misturo a vida profissional com a pessoal e os treinos, pois a logística de pai separado obriga a muito improviso misturado com planeamento. Estou a reduzir cafeína em força (estava nos 4 cafés por dia) para dormir o melhor possível. Zero sal. Estou a ler o Correr ou Morrer do Kilian Jornet. Tenho o objetivo, não sei como, de consistentemente fazer perto de 100km por semana quando chegar a Março. Penso meter-me no yoga. Reduzi ao mínimo a vida social desencaminhadora. Meti de lado passatempos como a fotografia. Até setembro vou viver o tempo livre como um atleta porque me calhou o UTMB e não quero apenas acabar, quero fazer uma prova boa e orgulhar-me dela. Quero também terminar o MIUT e fazer uma boa prova.

Vou procurar voltar a escrever aqui. Aliás, ter escrito isto depois da paragem já é um sinal da minha motivação. Vamos a isto, descobrir o corredor que há em mim, o melhor corredor que há em mim. Posso matar-me com maus hábitos depois, celebrar, afundar-me. Mas se tive a sorte do sorteio tenho de a honrar e agradecer com humildade. UTMB aqui vou eu.

 

 

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4 thoughts on “Ano 2017 – objectivos MIUT e UTMB

  1. Força no recomeço! A sorte esteve contigo no sorteio, agora há que a merecer.
    Lá nos encontramos nos Abutres e MIUT. UTMB ainda não, achei que este não era “o” ano.
    Abraço e manda outro ao João!

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