Primeiro teste a 4:35 – fail – 3:15 demasiado ambicioso? :(

Ontem o meu treino era suposto ser um 60′ fáceis + 60′ marathon pace que o plano define ser em Tempo, ou zona 3. Fiz os 60 fáceis num ritmo surpreendente, mesmo com kms a 5:07 ou 5:04, sendo que o ritmo cardíaco nem passava os 145bpm. Deu-me muito ânimo porque antevi uma boa maratona, visto que com mais repouso até lá parece que se vai revelar um novo motor. Portanto, ao km 12, quando iniciei a segunda parte dos 60′ a 4:35 não me podia queixar de vento, cansaço ou outra coisa. Sabia que não ia para a zona 3 Tempo, mas sim já bem na 4 do treshold.

 

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Bem, ao fim de apenas 15 minutos neste ritmo já era difícil baixar das 170 batidas sem comprometer o tempo e a sensação física era muito desagradável. Percebi depressa que não podia tentar fazer os 60 minutos neste ritmo. Seria um treino demolidor pelo menos para já, seria ainda mais duro que uma corrida de 10km no limite e esta semana tem carga. O próprio plano previa 60 fáceis e 60 em tempo, não em treshold.

Posso admitir que conseguia ter feito mais 30 minutos, mas o nível de sofrimento estava demasiado elevado e pareceu-me implausível querer sequer passar por isso ao longo de 42km. Enquanto escrevo isto não sei ainda que objectivo ter na maratona. Sei que se fosse realista diria 3h19 minutos, fazendo a prova ligeiramente abaixo de 4:45.

É ridículo como 10 segundos por km fazem uma diferença tão grande. O que me chateia mais é que não teria tentado a maratona se tivesse a certeza de nem fazer sub3h logo para começar. Sub 3h15 é um objectivo muito ambicioso, e ainda acho que valeria a pena. Fazer 3h19 melhorando em 11 minutos o meu anterior tempo, nem por isso.

Eu só queria fazer maratonas de estrada quando bater o meu tempo anterior de forma significativa fosse natural e considero que os 3h30 em málaga foram um excelente exemplo. Idealmente só correria uma maratona de estrada de 2 em 2 anos no máximo. Até gosto de correr a maratona, mas os treinos são massacrantes. Devo admitir que é talvez por ter deixado de correr estrada tanto tempo que não evoluí tanto como esperava. Ou seja, evoluí muito no trail, tendo completado uma ultra de 170km e 11 mil metros de desnível no top 30% da classificação e sentindo-me “bem” no fim. Mas em compensação não evoluí em velocidade e na capacidade de aguentar ácido láctico ou regimes cardíacos elevados.

Mais uma vez aprendi muito. Penso que posso transportar algumas das conclusões deste ciclo para os próximos de trail. A principal é a inclusão de um treino de velocidade em asfalto em qualquer semana de treino e medir. Ou seja, medir estes paces por km, de forma objectiva e relacionar com o ritmo cardíaco. Isto também evitará que me volte a meter numa maratona sem ter a certeza de rebentar o meu anterior recorde.

Sei que quanto mais próximos do nosso limite mais exponencial se torna o esforço. É impressionante a sensação de correr a 4:35 tanto tempo, sem descanso. Tenho ainda a vaga esperança que o meu corpo acalme e aceite esse pace, que parte disto seja “acreditar”, convencer-me que é possível. Para a semana há outro igual. Não sei ainda se tento com os 4:35 de novo ou se afino já os 4:45.

 

3h15 na maratona – objectivo e tolerância ao sofrimento

Hoje um duríssimo 15’easy + 6x1000m + 15’easy. Fiquei muito surpreendido com os resultados que só analisei no fim do treino. Para já, a primeira série de 1000m feita a 4:01 e a segunda a 4:06… o que é isto? Com vento e no EUL! O meu equivalente há um mês era 4:20-4:35
treino

Isto foi crítico. Foi um treino que me mostrou que mesmo sendo muito difícil 4:35 numa maratona, não é implausível. É estranho para mim ver estes números. E assustador porque me comprometem com esse objectivo e isso é um problema para mim. Sou capaz de, como em Madrid, fazer um último quarto de prova num nível de sofrimento extremo. Notei que o que mais evoluiu desde Málaga foi apenas o meu maior à vontade com essas sensações que dizem “abranda” mas às quais desobedecemos. É a fazer este tipo de treinos que o nosso corpo se habitua a processar ácido láctico e a ganhar capacidade de o processar numa corrida mais longa, ficando mais imune à sensação de exaustão.