alimentação numa ultra muito longa

iRunFar: You’ve run Hardrock now twice, has your thoughts regarding logistics or preparing for this race changed at all?

Jornet: Yes, I think the more you run 100 miles, the less you care about logistics. The first time you run 100 miles, you prepare every aid station what you want and things. Then you realize with the aid stations in the race, it’s enough. You know the things. It’s much simpler. You don’t need to carry gels or anything. You just get food at the aid stations.

Kilian Jornet na entrevista prévia à Hardrock http://www.irunfar.com/2016/07/kilian-jornet-pre-2016-hardrock-100-interview.html

É curioso que tanto eu como o João acabámos por ter os dois a mesma ideia genial, mas calma. Cada um de nós levava estratégias diferentes, o João ainda se dá bem com o Perpetuem + abastecimentos e eu levava geis e gomas + abastecimentos.

O certo é que consumi metade do que tinha previsto. No primeiro dropbag aos 80km carreguei apenas metade dos geis que tinha preparado. Não que me estivessem a cair mal, mas não estava a ser natural ingerir tanta coisa assim. Os abastecimentos são críticos numa prova que me durou quase 43h.

Vomitei muito aos 110, 120km. Nunca tinha vomitado numa ultra, foi a primeira vez. No MIUT fiquei enjoado, mas não vomitei. Aqui com o calor, as misturadas, o isotónico quente, vomitei tipo exorcista, com jacto. Fiquei deitado no chão com o esforço, foi daqueles vómitos de ressaca, biliosos, intermináveis.

Nesta altura tive medo que a ultra tivesse terminado para mim, mas não… passado 10-20 minutos sentia-me muito bem. Tivesse eu vomitado assim no MIUT – está a lição tomada. Mas o MIUT foi um óptimo teste. Quando cheguei ao abastecimento seguinte bebi um caldo (espécie de canja sem nada, só água, sal e gordura) e provei algumas coisas a medo. A pouco e pouco fui recuperando. Ainda fui testando comida, vomitando algumas coisas, outras não, mas descontraído.

A epifania foi o prato de massa quente, com tomate e queijo, em Etxteguerate, antes da última grande subida. Soube-me tão bem. E comi e comi. O meu corpo queria comida a sério.

A conclusão é que numa ultra mesmo muito longa é difícil depender de uma única fonte de comida. O isotónico soube-me deliciosamente até às 20h de prova, eu diria que é até bastante tempo, mas chegou a um ponto de limite. Como tinha passado pelo MIUT com enjoo de Pepsi, evitei Pepsi. Só quando enjoei é que provei Pepsi, já mais de 24h prova adentro. E soube-me bem. Percebi que o crítico é estar gelada, como o isotónico.

Em resumo, em provas de 100 milhas temos de nos habituar a ser flexíveis nesta ingestão de calorias e tentar comer a sério, comida a sério. E vomitar faz muito bem. Se tivesse vomitado copiosamente no MIUT talvez tivesse ressuscitado no posto de abastecimento. Em vez disso mantive-me enjoado muito tempo, muitas horas.

Fica a nota, só sei que nada sei, suponho. Improviso. Como o Jornet. Mas é preciso meter as calorias… O “calma” no primeiro parágrafo é porque os regulamentos proíbem explicitamente que os atletas levem comida dos abastecimentos. Nunca vejo os voluntários muito stressados com isto e na Ehunmilak vi alguns a fazerem isto e a recomendarem-me fazerem o mesmo. Enchiam os bolsos com palmiers, chocolate ou sandes…

Fica a dica.

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