53k, 3200m no target pace para a Ehunmilak

Completei hoje o meu treino mais épico, se por treino considerar tudo o que seja extra-provas.

Sozinho, foram 10 horas por sintra (9:06 de “moving” time).
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Dei duas voltas completas ao track do STE remix + os extras de desnível e distância para o Penedo, o que eu e o João chamamos de STE XXL.

O objectivo do treino era chegar ao fim dos 53-54km com a sensação de que não seria impossível continuar mais 114km e mais 8 mil metros de desnível. Não é o mesmo que achar que sim, que consigo, simplesmente não foi uma nega. Cheguei muito bem ao fim do segundo loop, a correr bem e animado, depois de uma sova de 3200 de desnível ultra técnico.

Tudo se baseou num controlo paciente da intensidade aplicada. Estás a ofegar? anda. Ouves o coração bater nos ouvidos? Passos mais pequenos na subida. Estás a correr sem parar há mais de 1km? Anda um pouco a pé para descontrair os músculos. Precisas de ajeitar os atacadores? Ajeita, respira, faz chichi, anda pela sombra. Tudo é feito de forma preventiva, económica. Quem corre com a terra corre para sempre, ditado Tarahumara que ressoou na minha mente em todas as descidas.

O que eu quero é ir o mais longe possível com uma sensação mínima de conforto e conseguir ser finisher. Hoje foi testar o ritmo a que eu acho que iria, mas não quer dizer que faça 50km em 10h e duvido. Isso significa que em 25h horas teriam 150km feitos, bastando 18. Tendo em conta o tempo dos vencedores da Ehunmilak percebo que isso é irreal. Eu não vou demorar 30 horas ou vou demorar 40h ou mais, com boa probabilidade. Em todo o caso é-me indiferente nesta prova.

Pensei muito no Miut. Estou a ser duro comigo sem me aperceber – apercebi-me hoje. Lembro-me que aos 60km no MIUT eu estava destruído, mas tinha enjoos (já lá vou) também. Porquê, se na verdade não tinha subido muito mais do que hoje? O que acontece numa prova como o MIUT é que existem momentos de pico em que é IMPOSSÍVEL uma gestão da intensidade. Qualquer passo custa muito. Um erro que cometi foi subestimar o efeito que as escadas irregulares a subir e descer teriam sobre mim. No final podemos ter dois desníveis por km semelhantes, mas uma prova ser muito mais dura do que outra, apenas com base no tipo de piso, de degraus, de subidas e descidas. E eu fui demasiado forte no início, fui no redline como, aliás, disse que iria. Podia até ter feito sub 24h se tivesse ido com uma gestão de intensidade como fui hoje.

Outra lição: acabou-se o perpetuem. Não dá. Hoje levei geis e chocolates e perpetuem. Confirmei, já não consigo consumir. O meu corpo rejeita depois dos enjoos que tive. Só o cheiro, mesmo fresco e de manhã, agonia-me. É como ter uma ressaca de gin e ficar sem conseguir cheirar gin meses ou anos a fio. É absurdo pensar que vou estar umas 40h a consumir a mesma coisa. Por isso hoje trouxe montes de lixo. E gostei dele todo. De gomas a vários tipos de géis… não sou esquisito. Não houve nada que me caísse mal. Por isso para a ehunmilak vou levar uma variedade de géis, gomas, barras, tudo. Gostei muito de uns geis com 32gr de hidratos. Podia comer um daqueles por hora + abastecimentos + comfort food como uns chocolates tipo sneakers, tanto faz. Tenho é de levar coisas que goste de comer.

Foi um bom treino, pelo menos, na parte psicológica. Senti-me testado e custou-me muito, muito menos do que a primeira vez que fiz dois loops ao STE e eram só 42 ou 44km.

 

 

 

 

 

 

 

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