novo recorde de treinos

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Contando com o Sintra Magic Mountain Trail, foram 110km e 6000 metros de desnível técnico em Sintra em 7 dias. É de longe o meu recorde em ambiente de treino. É muito mais do que as anteriores semanas de 100km que tinham treinos em Lisboa, em cidade. Exceptuando a semana do MIUT em que meti 7200m numa só prova, ou os 5 mil e tal do UTAX, em treinos nunca passei dos 3 mil.

O resultado aí está. Estou cansado como nunca. Um cansaço profundo, sinto-o nos ossos, embora o treino de hoje tenha sido mais fácil que o de quinta feira. O objectivo é trabalhar a parte da força, força pura, para subir e descer.  O cansaço obriga a uma gestão económica de todos os passos, esforços, ritmos, uma economia que eu tenho de implementar desde o km zero se quiser sobreviver até à meta e não só quando já me sentir cansado ao km 40 ou 50. Gostei de uma citação que apanhei: “if you are not enjoying it, your are going too fast”. É um excelente lema. Nestes treinos tenho-o presente. Se sinto que estou em esforço, ando. Nem que seja numa descida ou plano. Recupero calmamente.

Nunca apliquei este método tão extremo. O problema dos treinos habituais é que não simulam condições próximas das ultramaratonas de 80-100km para cima e com muito desnível. Para se ter uma ideia, se eu fizesse a ehunmilak no ritmo de hoje em que me senti todo partido, demorava apenas 26 horas, apenas mais hora e meia que o vencedor de 2015, o que é evidentemente irreal, o mais provável andará pelas 40 horas. Vou ir ainda mais devagar do que hoje se penso fazer 40 horas, talvez mais.

Mas treinos mais “roladores” em que corremos 80% do tempo ou mais dão uma imagem e expectativas completamente enganadoras que depois servem apenas para rebentar durante uma prova em que na verdade corremos apenas 20% do tempo (não dos kms) e em que, muitas vezes, a certa altura, podemos nem conseguir mais correr em plano, devido a cansaço extremo, problemas como os enjoos que tive no MIUT.

Mas há outra variável mais importante e que se prende com o sofrimento. Em teoria, há certamente dois modos de fazer uma ultra exactamente no mesmo tempo: uma em que vais num bom ritmo e rebentas e outra em que vais num ritmo médio baixo o tempo todo. Ambos os métodos podem resultar exactamente no mesmo tempo e classificação, mas não se compara, nem por sombras, o sofrimento implícito no primeiro método, incluindo o perigo de desistir. O desafio, claro, é perceber que ritmo será esse. Temos medo de “ir devagar demais”. Foi o que me sucedeu no MIUT em que a boa experiência no UTAX (em que fui em modo finisher) me deu excesso de confiança e fui no redline boa parte da prova. Toda gente estoirou. Se eu tivesse ido em conservador no início, teria, em primeiro lugar, acabado (desde que não tivesse os problemas gástricos que tive), em segundo lugar, teria feito melhor tempo e classificação, porque no fim da prova todos estavam destruídos e qualquer pessoa que conseguisse correr, ganharia posições. Mas não acho que tenha “errado”. Não conhecia o MIUT, não conhecia o percurso. Agora conheço e conheci um limite meu, o que é muito importante para a ehunmilak.

Numa ultra 100km ou mais, nunca se vai devagar demais se nos estivermos a sentir razoavelmente bem. E o que vou tentar, de forma ainda mais conservadora no UTAX, é ter esse eixo de gravidade a puxar por mim e a abrandar, mas de forma preventiva. Nem é um “estás a sentir-te bem?”, é mais um “achas que a correr a este ritmo daqui a 5 minutos estás a sentir-te bem?”

Amanhã talvez vá a Sintra. Já sinto os efeitos, uma dor nova no pé esquerdo, os pés inchados, o cansaço que se sente nos ossos… mas estou até bastante bem. Muito melhor do que nas anteriores tentativas… lembro-me dos primeiros treinos desta magnitude, há 2-3 anos. Lembro-me que ficava tão exausto que até tremia de frio a tarde toda, mesmo com 30 graus em Agosto…

 

 

 

 

 

 

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One thought on “novo recorde de treinos

  1. Valente, é mesmo esse o caminho. E tanto disso é feito sozinho. Estou a chegar a um ponto em que percebo que vou ter de fazer muito mais treinos sozinha, precisamente para meter o desnível de que preciso ao meu ritmo. Felizmente também gosto de correr sozinha mas deve ser dureza ao fim de vários dias, quando estamos mesmo cansados. Continuação de bons treinos 🙂

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