Sintra Magic Mountain Trail

fiz 30º lugar em 105 corredores, não sei bem como.
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O João fez um estrondoso 17º lugar.
A classificação soube-me bem, mas foi apenas um paliativo. Senti-me muito rebentado para o fim da prova e só pensava na Ehunmilak. Se 58km e 2800m me deixaram neste estado miserável, só de pensar nos 168 e 11000 da ehunmilak dá-me vontade de rir. Somando a experiência de morrer no MIUT ao km 98 com 7000m, enfim… Medo.

Safaram-se as descidas. Passei diversas vezes os mesmos corredores em descidas, e eles depois ultrapassavam-me na subida. No fim da prova consegui ganhar uma vantagem. Provavelmente eu estava mais estoirado do que eles em termos de condição física. Eles é que em descida tinham dificuldades em travar, com os quads já destruídos, cheios de dores. Isto é uma adaptação que me veio de treinar ali mesmo, em sintra e também não posso ignorar que passei por boa parte do MIUT. São coisas completamente diferentes, uma é a capacidade do músculo travar e a outra é o nosso “motor”, a nossa forma.
Se eu estivesse a subir ao nível das descidas, teria conseguido acompanhar o João. Neste mês não tenho desculpa para não treinar com pesos em casa todos os dias.

Tento atenuar estas sensações a relembrar-me que quer esta, quer o MIUT, acabaram por ser feitas em modo de confiança, de ir no redline, e não de finisher. Fui bastante forte no início das duas. Na ehunmilak tenho de ir mesmo muito, muito conservador. Já duvido das sub 40h. Vou pensar apenas em tempo limite e no que preciso de fazer para o cumprir, mantendo uma almofada de segurança para o caso de ter algum problema.

Coisas que retive desta… a experiência conta um bocado como diz e bem a Mariana nos comentários, especialmente no pace. Aqui fui descontraído e acelerei muito no início, embora consciente. Vi muitos atletas a rebentar. Eu e o João corremos juntos os primeiros 20km, eu sentia-me ok, depois ele deu um coice (ou fui eu que quebrei?) e deixei de o ver. Mas víamos corredores que passavam por nós nas subidas em esforço. Nós a andar numa subida e eles a trote. Depois iam quebrando. Isto foi constante.

Para mim a raiz da coisa é a incapacidade de conceber andar em subidas até ser tarde demais. O pessoal mete o chip “corrida = correr”. Mas não é nada eficiente. O que é necessário procurar é o esforço constante em que somos nós que controlamos o ritmo e não aquele limite de “já não aguento mais, tenho de andar”. Podemos imaginar um automóvel em que o nosso pé carrega sempre da mesma forma no acelerador, quer seja em plano, a subir ou descer, nós só mudamos as mudanças, o que nos faz ir mais depressa ou devagar. Na corrida a mudança pode ser o comprimento da passada. A excepção são subidas muito íngremes e técnicas, em que é impossível não ir com o coração no máximo só para avançar e descidas igualmente muito técnicas. E é isto que torna ultras como o MIUT muito complicadas, porque para além de uma gestão de esforço constante, é preciso também acumular reservas para esses picos. Mesmo nesta, em que rebentei, cheguei a andar calmamente nuns 100 metros planos antes de uma subida ou em secções entre subidas técnicas. Só para acumular energia para o esticão.

O João disse-me e eu estou 100% de acordo: na ehunmilak qualquer desnível positivo vai ser feito a andar desde o início.

Resultou bem ter trazido mais comida: geis, goma, até um chocolate ovomaltine. Consumi a primeira garrafa de perpetuem sem problemas, na 2ª já tive dificuldades, calor e perpetuem não combinam. Talvez na ehunmilak dependa da temperatura. Muito mais fácil ingerir um gel ou uma goma, variar sabores. Perpetuem é excelente em certas condições, como foi no início, mas devo ter enjoado daquilo e o sabor agora traz recordações do enjoo no MIUT. Quente é intragável e é já instintivo.

Não me dou com Pepsi. Nesta, tal como no MIUT, a bebida era Pepsi. Não sei do que é, mas enjoa-me mais do que a Coca-Cola, talvez por me parecer mais doce.

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2 thoughts on “Sintra Magic Mountain Trail

  1. Estás de parabéns,fizeste uma excelente prova!
    Como não vais atacar o D+ na ehunmilak, o que me parece sensato :), pensa em ajustar os treinos técnicos ao que vais fazer em prova: subidas a bastonar em passo rápido e descidas a correr… pensa nisso 😉

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