o que aprendi com o Zach Miller

Parti do MIUT a poucos metros de Zach Miller e foi o mais perto que estive dele! Para além de te vencido o MIUT, Zach venceu o CCC e outras provas, apanhando o mundo do trail um pouco de surpresa nos últimos dois anos.

zach-miller-jumping_h

Mas a minha admiração pelo Zach não se prende apenas pelos resultados. Foram os resultados que me fizeram ler e ver entrevistas a Zach Miller e textos do próprio. E toda esta experiência MIUT + Zach Miller que o venceu, teve um efeito de clique, inspiração e aprendizagem.

Então aqui vai.

1- Mesmo os melhores sofrem igual a nós e eu enquanto médio não posso retrair-me e sofrer menos. Posso ser mais lento, mas não posso  esperar não ter maus momentos. Zach Miller dá 150% nas provas e é o corredor mais competitivo que já ouvi falar em entrevistas. Assim que arranca tem sempre medo de ser apanhado, mas é do género de liderar do princípio ao fim. Sem dúvida que os elites são todos competitivos, mas o Zach termina pas provas ao sprint mesmo quando já tem uma vantagem enorme.

zach finish

2- A dedicação ao treino O improviso de Zach para treinar o mais possível em qualquer condição é inspiradr. Entre as experiências profissionais, foi engenheiro num cruzeiro. Para continuar os treinos treinava em passadeira e subia e descia escadas no navio. Hoje em dia é responsável por um abrigo, o Barr Camp, na encosta de Pikes Peak, que recebe viajantes, desportistas, hikers etc. O seu trabalho pode envolver lavar uma tonelada de pratos sujos como ir correr horas para salvar alguém que se perdeu, repetindo um treino longo. O exercício extra pode ser rachar lanha ou limpar neve. Quando não tem tempo, chega a acordar às 3 da manhã para conseguir treinar. Mas parece sempre feliz. Isto para mim diz-me muito porque eu tenho muitas condicionantes para treinar ultras, mas acredito que ainda não esgotei o potencial de treino.

3- Recuperação activa – o Zach começa a correr no dia a seguir às provas. Diz que quando espera 1 ou 2 semanas e recomeça, sente que tem a “porcaria” toda ainda nas pernas e que lhe custa muito entrar na rotina dos treinos. Sobre a questão da recuperação pós-corrida não consigo ser taxativo porque as pausas são muito importantes para corredores normais, incluindo um reset anual, mas consigo dizer que ele tem toda a razão no que respeita à dificuldade de voltar a entrar nos treinos. Aconteceu-me entre o UTAX e o MIUT. Acabei por parar mais de um mês depois do UTAX e foi como recomeçar do zero. Agora recomecei do MIUT pouco mais de uma semana depois assim que pude e capitalizar o que ganhei por apesar de tudo ter feito 98km e 7200m de desnível como se fosse um treino para a Ehunmilak.

4- Minimalismo nas preocupações O Zachs sai da cabana, corre, anda por aí, volta e vê que horas são, se for muito cedo volta a sair para correr mais um bocado. No MIUT usou um casio que comprou na ilha porque achou que podia não ser mau comprar um relógio. Só viu o perfil da prova pouco tempo antes de se inscrever. Uns dias antes de correr numa ilha tropical estava a treinar em neve e foi sozinho para a Madeira. Improvisou uma crew de apoio no evento. Claro que esta simplicidade vem de uma longa preparação e experiência. No MIUT até não me dei muito bem com a mesma postura de improviso e de não ter bem um plano B para alimentação extra perpetuem. Zach até comeu pó de isotónico sem água porque esta tinha acabado, no MIUT. Mas ser flexível e planear menos não é mau porque nos adaptamos mais facilmente ao que acontece.

5- Foco no que é preciso e menos em números – Zach inspira-me a motivar-me com o que eu gosto de fazer. Não quero ser fotocópia por isso usar relógio gps para mim é importante. Também sou competitivo para mim é essencial o registo dos meus treinos e motivação pela minha superação nos números. Mas a essência da coisa é mesmo fazer o que é preciso. Ontem e anteontem pus em prática essa filosofia ao conseguir enfiar uns 1300m de desnível técnico em dois dias de semana depois do trabalho. A escolha por trilhos técnicos fez-me abdicar de números mais expressivos de desnível e sobretudo de km’s. Ora, o Strava e todos os meus registos regem-se normalmente por estes dois vectores, assim como a maior parte dos planos de corrida. Para mim é simbólico passar semanas de 100kms por exemplo, mas hoje em dia ficaria mais feliz de passar os 3500 metros de desnível técnico numa semana. Vou passar a dar importância – como já dou – aos segmentos, pois esses sim captam a nossa verdadeira evolução no que interessa: como estamos a evoluir em certos tipos de terreno e treino e como estamos fazer aos outros.

E deixo um pequeno clipe do quilómetro vertical de Zegama, grande parte do percurso penso que é sobreposto ao da Ehunmilak, mas não sei se não é no sentido oposto. Enfim, isto é o piso que se encontra nas ultras extremas, mas podia pedra ou cinza. Estradão é que é raro. E pergunto, quantos tempo treinamos em pisos deste tipo ou igualmente extremo?

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2 thoughts on “o que aprendi com o Zach Miller

  1. Aqueles “ânimo” e afins numa situação daquelas não é um bocado como alguém dizer calma quando estamos enervados? Eu acho que dizia logo que era português, talvez se calassem.

    Eu sei que usas ou ponderas usar, mas os bastões não são uma batota do caraças? Em último caso, se um trilho é impossível de fazer com o mínimo de segurança sem eles, que adaptem o percurso.

    De resto, aquele é mais ou menos o meu pace, só que quando vou em plano. Fujo a desníveis como o diabo da cruz :-p

    1. Sabe muito bem ouvir os ânimo. Ouvi toneladas na maratona de Madrid, alguns em Malaga e toneladas em La Palma. Fazer provas em espanha é muito recomendável 🙂 Os bastões não são batota. A maior parte dos tops nem usa! Eu sim.

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