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Ok, por onde começar…

Inscrevi-me na Ehunmilak 2016 que decorre no final de Julho no País Basco. A corrida tem 168km, +11000m de desnível positivo. O tempo previsto de chegada do 1º é de umas assustadoras 23h. O tempo limite é de 48h. Eu farei um tempo certamente superior a 30 horas, talvez inferior a 40h. É uma prova mais dura que o UTMB de acordo com o que tenho lido (a propósito, vale 6 pontos para o UTMB!)

Tenho o MIUT a 23 de Abril. O meu raciocínio foi aproveitar o corredor que vai sair do MIUT, ter algum tempo de recuperação, fazer treino específico e aproveitar para fazer a Ehunmilak, uma corrida completamente diferente de todas as que fiz.

O MIUT será uma prova em que vou preocupar-me com o tempo, tentar fazer sub 20h, embora seja muito difícil para mim, veremos pelos treinos. Em qualquer caso o plano é tentar um ritmo sub 20h até estoirar, se estoirar. Na Transvulcania percebi logo ao km 10 no primeiro posto que não faria o meu objectivo de tempo. Insisti sempre indo no redline e o resultado foi um mau bocado ao km 60, mas não foi grave.

A Ehunmilak será uma viagem, trata-se de a terminar bem. O primeiro grande desafio prende-se com o conforto: bolhas, frio, etc. e tolerar bem comidas variadas para além do perpetuem. São as coisas que podem fazer-me desistir, para não falar em lesões, mas isso é difícil de controlar. O segundo é a estratégia de nutrição e hidratação, embora aí penso ter já estabilizado a fórmula com o perpetuem e endurolyte para os electrólitos, no UTAX não tive qualquer problema. É curioso que o meu companheiro de corridas João Paiva chegou à mesma fórmula que eu, misturas de perpetuem para 3 horas, mas consumidas ao longo de 4h, porque mesmo assim comemos nos abastecimentos.

Assumindo que isso está controlado, o segundo desafio é o desnível, especialmente as descidas. O treino para um animal destes não é diferente do treino para o MIUT, embora possa mesmo assim justificar um reforço de back to backs e concentração de km’s aos fins de semana. Mas os +11 000m (-11 000m!) justificam concentrados de subir e descer a pior subida que conheço em Sintra, a mais técnica, cerca de +300m em 2km, o que dá um grade aproximado de 15%. No UTAX foi graças ao STE regular (meio STE, 1 loop ou meio STE mas uns 5-6km , o que chamo o STE XL). Isto fez toda a diferença no UTAX no final. Fiz todas as descidas a correr bem rápido e passei por atletas com “busted quads”. Na transvulcania aconteceu o mesmo mas aí fui traído pelas bolhas. Isto leva-me a crer que alguns dos outros atletas mais do meu nível não dão tanto relevo a treino em desníveis extremos, quando é de facto o treino em desnível extremo que confere as capacidades decisivas para não estoirar numa ultra de trail. Contudo, +11000m são um bicho especial e não posso assegurar nada. Vou introduzir treinos de força e pesos. É possível que me inscreva num ginásio (o meu escritório vai mudar para um prédio com ginásio) pelo menos até à prova.

Ontem fiz o longão, 21km com passagem por monsanto e bati vários PRs antigos em subidas. Quando vou para Monsanto, na pequena escala das subidas de Monsanto, noto progressos, consigo fazer quase todas em passo de corrida e inseridas no contexto de treinos longos de +2h.

Tudo isto vai exigir muita disciplina, este fim de semana tenho a minha filha e já tenho em mente uns treinos que posso fazer com ela no carrinho. Ela agora já não está muito para treinos de mais de 1h. Assim faço treinos de força em rampas a empurrá-la e a descer. Há uma rampa excelente ao lado da A5 em asfalto, em monsanto.

Vou escrevendo aqui os progressos e a evolução dos treinos e das minhas sensações.
Para já falta convencer o João Paiva a vir comigo. E também planear umas férias pelo Pais Basco, uma road trip!

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4 thoughts on “novidades

    1. a altitude não será um problema na ehunmilak, o máximo são 1500 metros. Na transvulcania chega-se aos 2500 metros e já se notou no cansaço e desidratação, obriga a ir mais devagar e a ter cuidado com a reposição de liquidos, havia muita gente colapsada no ponto mais alto. Mas 2500m acho que não chegam a causar mal de altitude per si, enjoos etc. O UTAT é mais duro nesse particular. Não se como é o vosso timing para ir para lá, se ficam 2 ou 3 dias em altitude, pode ajudar a ter dores de cabeça ou enjoos antes da prova e não durante, mas há quem não tenha sintomas nenhuns. Por outro lado, se for tudo num espaço curto de tempo, por exemplo, só o da corrida, é possível que não tenhas mal de altitude pois só estarás a 3 mil metros ou mais durante algumas horas. Resumindo, prepara-te para paces mais lentos, sem stress, é da falta de O2, não é de ti, cuida muito da hidratação e electrólitos (e claro, da nutrição). A propósito este artigo é interessante: http://www.runnersworld.com/rt-web-exclusive/the-latest-research-on-training-and-racing-at-altitude

      1. Estamos a tratar da inscrição em grupo. Aquilo obriga a 4 dias de estadia, não sei se ainda vamos esticá-los mais. Obrigada pelo artigo, vou ler.

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