também é oficial

gosto de estar fora de pé! Seja o que Deus quiser, como dizem os católicos.

Só me preocupam algumas coisas que tenho lido dos relatos da ehunmilak. O piso é assassino e não há secções roladoras fáceis. A taxa de desistências nas duas primeiras edições foi de mais de 50% e a nas últimas não andará longe, ainda não vi e só me vou preocupar com isso depois do MIUT. O clima é muito incerto, até nevões houve numa edição. Acho que eu não sendo rápido ou bom atleta, tenho pelo menos algumas qualidades que são valiosas nestes contextos. Primeiro, prefiro colapsar a desistir. É impossível entrar numa coisa destas e chegar a um ponto qualquer e conscientemente desistir, excepto, como disse antes, por lesão (torcer um pé, bolhas). Más sensações, nunca. Já vi corredores – que respeito – a desistir à minha volta, só porque estão na merda, o meu conselho é tenham calma, porque o corpo recupera depois de um copinho de água com açucar ou algo do género.  No UTAX passou por mim um ex-líder da prova, provavelmente conhecido, mas não o reconheci, que esteve numa ambulância a recuperar de uma morte autêntica e que se tinha enganado no caminho. Acabou a prova para ter os 3 pontos para o UTMB. That is the spirit. Ele ia pálido e passou por mim, falámos um pouco, mas passou por mim a voar. E eu ia bem. Estranhei ele afastar-se tão depressa. Íamos os dois a andar.

Segundo, gosto dos problemas. As Ultras nunca correm exactamente como esperamos, faz parte do interesse de passar por uma, o desconhecido, o improviso a que obrigam. Ir mentalizado que há coisas que vão correr inesperadamente mal, faz parte . Há pessoas que atrofiam mesmo muito com coisas negativas, como um erro de marcação, um abastecimento mau ou trocado, estar a chover copiosamente em vez de sol como previram etc. Temos de ir preparados para o pior e para ter calma. Muitas situações más são passageiras e não vale a pena pensar demais!

 

é oficial, estou fora de pé

With 36,000 feet of ascent, a new ultra trail race in northern Spain’s Basque Country—the Ehunmilak (pronounced Ee-oon-mee-yak, Basque for “100 Mile”)—demands more climbing than Colorado’s Hardrock 100, one of the most challenging mountain 100-milers in the world. And, according to runners who have completed both the Ehunmilak and France’s grueling Ultra-Trail du Mont-Blanc (UTMB), the Ehunmilak is tougher.

Like UTMB, the race starts at 6 p.m., forcing runners to head into darkness. However, what makes the Ehunmilak so difficult is that its climbs and descents have virtually no quad-saving switchbacks. Instead, they are exhausting—straight up and down, sometimes off trail. In both the 2010 inaugural event and the 2011 race, more than 50 percent of the field dropped, including me during the latter. Last year’s winners and new course-record holders Javi Dominguez of the Basque city Vitoria, and Nerea Martinez of Pamplona, Spain, crossed the line in 24:49 and 28:00 respectively.

http://www.trailrunnermag.com/destinations/international/346-the-ehunmilak-a-cultural-crushing

novidades

Ok, por onde começar…

Inscrevi-me na Ehunmilak 2016 que decorre no final de Julho no País Basco. A corrida tem 168km, +11000m de desnível positivo. O tempo previsto de chegada do 1º é de umas assustadoras 23h. O tempo limite é de 48h. Eu farei um tempo certamente superior a 30 horas, talvez inferior a 40h. É uma prova mais dura que o UTMB de acordo com o que tenho lido (a propósito, vale 6 pontos para o UTMB!)

Tenho o MIUT a 23 de Abril. O meu raciocínio foi aproveitar o corredor que vai sair do MIUT, ter algum tempo de recuperação, fazer treino específico e aproveitar para fazer a Ehunmilak, uma corrida completamente diferente de todas as que fiz.

O MIUT será uma prova em que vou preocupar-me com o tempo, tentar fazer sub 20h, embora seja muito difícil para mim, veremos pelos treinos. Em qualquer caso o plano é tentar um ritmo sub 20h até estoirar, se estoirar. Na Transvulcania percebi logo ao km 10 no primeiro posto que não faria o meu objectivo de tempo. Insisti sempre indo no redline e o resultado foi um mau bocado ao km 60, mas não foi grave.

A Ehunmilak será uma viagem, trata-se de a terminar bem. O primeiro grande desafio prende-se com o conforto: bolhas, frio, etc. e tolerar bem comidas variadas para além do perpetuem. São as coisas que podem fazer-me desistir, para não falar em lesões, mas isso é difícil de controlar. O segundo é a estratégia de nutrição e hidratação, embora aí penso ter já estabilizado a fórmula com o perpetuem e endurolyte para os electrólitos, no UTAX não tive qualquer problema. É curioso que o meu companheiro de corridas João Paiva chegou à mesma fórmula que eu, misturas de perpetuem para 3 horas, mas consumidas ao longo de 4h, porque mesmo assim comemos nos abastecimentos.

Assumindo que isso está controlado, o segundo desafio é o desnível, especialmente as descidas. O treino para um animal destes não é diferente do treino para o MIUT, embora possa mesmo assim justificar um reforço de back to backs e concentração de km’s aos fins de semana. Mas os +11 000m (-11 000m!) justificam concentrados de subir e descer a pior subida que conheço em Sintra, a mais técnica, cerca de +300m em 2km, o que dá um grade aproximado de 15%. No UTAX foi graças ao STE regular (meio STE, 1 loop ou meio STE mas uns 5-6km , o que chamo o STE XL). Isto fez toda a diferença no UTAX no final. Fiz todas as descidas a correr bem rápido e passei por atletas com “busted quads”. Na transvulcania aconteceu o mesmo mas aí fui traído pelas bolhas. Isto leva-me a crer que alguns dos outros atletas mais do meu nível não dão tanto relevo a treino em desníveis extremos, quando é de facto o treino em desnível extremo que confere as capacidades decisivas para não estoirar numa ultra de trail. Contudo, +11000m são um bicho especial e não posso assegurar nada. Vou introduzir treinos de força e pesos. É possível que me inscreva num ginásio (o meu escritório vai mudar para um prédio com ginásio) pelo menos até à prova.

Ontem fiz o longão, 21km com passagem por monsanto e bati vários PRs antigos em subidas. Quando vou para Monsanto, na pequena escala das subidas de Monsanto, noto progressos, consigo fazer quase todas em passo de corrida e inseridas no contexto de treinos longos de +2h.

Tudo isto vai exigir muita disciplina, este fim de semana tenho a minha filha e já tenho em mente uns treinos que posso fazer com ela no carrinho. Ela agora já não está muito para treinos de mais de 1h. Assim faço treinos de força em rampas a empurrá-la e a descer. Há uma rampa excelente ao lado da A5 em asfalto, em monsanto.

Vou escrevendo aqui os progressos e a evolução dos treinos e das minhas sensações.
Para já falta convencer o João Paiva a vir comigo. E também planear umas férias pelo Pais Basco, uma road trip!

releituras e meditações (Ehunmilak…)

Once lung-gom-pa runners attined the proper level of moving meditation, they could fly like the wind, vitully gliding along in the air in a state of deepest contempation. The marathon monks of Mount Hiei achiev similar results with theur training methods, but the secret of their success lies in their spiritual rather than their physical strenght. The spiritual strenght – derived from the desire to realize Budhahood, for the sake of oneself and the sake of others, in this very mind and body – is the key to the question “what makes the marathon monks run?”
Buddhism can never be understood purely through the intellect; it must be experienced. “learn through the eyes, practice with the feet” (…) he gyja have said that as soon as they don the robe of a marathon onk, all other concerns vanish; they gravitate toward the mountain paths, compelled by a powerfull that suffuses them with energy (…) it as pilrimage carried out in the immense silence of the Absoute on a remote, majestic and misterious mountain where gods and Buddhas dwell. Leaving behnd the cacophony of the restless, relentless world, the monk isoates himself to live every day as if it were the last.
(…)
At the end, the marathon monk has become one with the mountain, flying along a path that is free of obstruction. The joy of practice has been discovered and all things are made new each day. The stars and sky, the stones, the plants, and the tres, have become the monk’s trustd companions

The marathon monks of Mount hiei, John Stevens

MIUT 2016 – o samurai

Desde o UTAX que nunca mais fui o mesmo. A prova decorreu espectacularmente bem tendo em conta o que implicam 112km e 5500m de desnível positivo.

Depois parei para uma longa recuperação, meteu o fim de ano, o natal, e desde então tenho tido terríveis dificuldades para assentar numa rotina de corrida, sobretudo a nível de horários de sono e motivação. Para ter estabilidade, tenho de acordar muito cedo. Estou com 15% de massa gorda (contra os 12% pré-utax). Continuo a ter de lidar com o desafio de ser pai solteiro metade do tempo e ter zero apoio de família em Lisboa. Não consigo ter uma rotina e as minhas semanas são binárias. Quando estou a embalar, tenho depois 3 ou 4 dias em que não posso treinar. Gosto de fazer muitas outras coisas, como fotografar, ler ou jogar playstation. E ter dates, vida social e sentimental, já agora, por exemplo, que normalmente implicam perder 2 treinos (noite e manhã) nos dias preciosos em que estou livre. Não é exagero referir que um ultra-maratonista tem de ter uma certa ascese nesse campo se for solteiro e não viver com alguém.

Quando voltei a correr, um mero STE (23km, 1400m em Sintra), deixou-me incapacitado para treinos durante uma semana, tal foi a perda de adaptação ao desnível. 15 dias depois repeti, numa noite de temporal e chuva, sozinho, até encontrar o amigo João Paiva lá perdido pelo meio também, e não tive qualquer problema. O treino faz diferença.

Tudo isto pode ser encarado como desculpas e são. Hoje trouxe o equipamento para o trabalho, para depois sair dele a correr, o que também fiz a semana passada. Ontem fiz 23km de bicicleta. Hoje senti uma pontada no joelho e os quadricípites doridos, pelo menos tirei a dúvida:  bicicleta sem dúvida que me coloca esforço numa zona necessária para desníveis. Isso são boas notícias, mas também alerta para ter cuidado ao combinar bicicleta e corrida, não são coisas paralelas, têm sobreposição.

Nem tudo é mau. Tenho comido bem muitas vezes, eliminando hidratos à noite. Comprei uma coisa destas, um ‘espirulizador’. Recomendo. Faço “esparguete” de courgetes, corto chips de batata doce para fazer no forno.

spiralizer

 

…mas abuso na cerveja ou no vinho e o álcool é tremendamente prejudicial para os níveis de glícidos.

Tenho de trabalhar em duas áreas.

  1. voltar a colocar o corrida no topo da prioridade e motivar-me para ela. Como? Penso que devo ser paciente para já e preocupar-me apenas em conseguir vencer inércia e alterar rotina, sem me preocupar com performance, mas apenas com tempo de treino para já, pois estou um pouco ansioso com os resultados dos treinos que fiz em 2016, tenho metido a tónica na intensidade dos mesmos. No UTAX fui em modo “cruise”, regime baixo, constante. No MIUT quero atacar e ter oscilações de intensidade desde início da prova. Para isso será vital o lado da nutrição e reposição dos equilíbrios do meu corpo. Quero fazer um grande MIUT e vou guardar o mês de Março para os testes de forma.
  2. A segunda é intervir no meu estilo de vida. Há desafios: meditação, alimentação, ioga / core, voltar a usar a bicicleta quase diariamente, descer a massa gorda para 11% se possível.

Duas citações a reter.

  1. samurai2samurai1

 

Vamos.