bicicleta de touring, o meu dilema recorrente

E pronto, agora no intervalo de recuperação, volta o bichinho da bicicleta.

A bicicleta é uma companhia quase diária, casa-creche-trabalho e vice versa. Em certas semanas são perto de 80km só em deslocações pequenas na Birdy.

Recentemente mandei a minha velha specialized stumpjumper (btt, suspensão completa) de 2007 para a revisão, teve de substituir suspensões. Não tem valor de revenda relevante, queria despachá-la e com o dinheiro ajudar-me a comprar uma de estrada. Mas não me dão nada por ela e por isso fiquei com ela e tive de a arranjar.

Andei a babar por uma pura de estrada, desportiva. Mas por outro lado, também era estúpido comprar uma bicicleta que só desse para isso, porque eu tenho pouco tempo livre e o meu desporto nº1 é a corrida. O dinheiro é muitas vezes mal gasto em bicicletas caras quando a sua utilização é demasiado específica e pontual – ou mesmo inexistente. Foi um pouco assim com a minha bicicleta de BTT, que usava aos fins de semana, mas cuja logística (levar no tejadilho do carro, lavá-la etc.)  tornava mais rara a sua utilização. É uma bicicleta algo inútil como commuter, apesar de rápida e ultraconfortável no empedrado.

A minha filha está a ficar maior e levá-la às costas começa a ser complexo. Ainda por cima a próxima escola poderá ficar bem mais longe – embora ligada por ciclovia, o que é excelente.

No intervalo em que não anda de bicicleta sozinha e pode andar numa cadeirinha na bicicleta, teria lógica ter uma de touring, uma que desse para a levar e levar os sacos com as tralhas dela e as minhas.

Muito antes de correr sonhava em fazer grandes viagens pela europa de bicicleta e andava a namorar as bicicletas puras de touring com quadros normalmente em aço, estáveis e sólidas, preparadas para grandes cargas. Um bom exemplo é o clássico Surly Long Haul Trucker, uma bicicleta que acho muito bonita, como de resto, todas as de touring puro, devido aos quadros em aço ou coisas parecidas, tubulares.

surly

surly2

Mas nunca o fiz. Na verdade não tenho normalmente tempo para aventuras destas e se as fizesse não sei se acampava. Fazia o chamado credit card touring. Roupa ok, mas comida e dormida, temos hotéis ou pensões. Ou não? Há tendas muito leves, mas o hiking a pé por montanhas atrai-me mais que o touring com tendas. Preferia fazer 80km por dia em bom ritmo do que ir a arrastar-me com malas.

Foi na altura em que optei pela minha Birdy (desdobrável) e não me arrependo. Apesar do preço tenho milhares de km’s feitos com ela e pagou-se a si própria, é uma companheira diária, faça chuva ou sol. Vou às compras, à creche, ao trabalho e ainda dou umas voltinhas em desvios das rotas habituais. Já a paguei em poupanças de transportes, para não falar na questão da saúde e do exercício, bem como da rapidez em deslocações pequenas onde os transportes e o carro são ineficientes.

A minha birdy 🙂

birdy

Adoro-a. A birdy foi a primeira bicicleta que tive que fundiu o utilitário com a diversão, especialmente o lado utilitário e percebi a importância tremenda que essa flexibilidade tem.

Um luxo é algo 100% desportivo e é curioso que as pessoas tendem a pensar ao contrário, podem dar milhares de euros por uma de estrada ou btt de elevada performance que frequentemente fica a ganhar pó durante longos períodos, mas depois para uma urbana em que fazem milhares de km’s já são poupados. Conheço vários casos assim!

A bicicleta de sonho? Seria uma de ciclismo rápida e desportiva, com a qual pudesse dar passeios grandes, mas não tão grandes como as de touring a sério, que levasse malas…

E é aqui que entra esta trek 720…

trek

Tem geometria de desportiva de estrada, embora não das mais agressivas. O facto de poder levar sacos frontais sem racks pesados é um winner. Mas permite rack traseiro, creio que o limite total do quadro é 135kg. Por isso posso usá-la para levar a minha filha numa cadeirinha confortável e passear com ela ou levá-la à escola. Ou para fazer touring com um pouco mais de bagagem.

Tirando o rack e a cadeirinha, posso usar só os sacos frontais, 1 ou 2, para o commute para o trabalho e assim meter lá uma muda de roupa nos dias de chuva, ou então para dar voltas grandes – passar um fim de semana fora, levando alguma roupa, carteira, etc. – ou posso mesmo não levar nada e ir dar só uma volta e tenho uma de estrada que pesa uns 9.5kg sem sacos.

A outra hipótese é ter uma de estrada pura, comprar uma em 2ª mão. Talvez essa seja a opção mais racional, uma vez que é possível fazer o fit de sacos numa de estrada pura caso queira fazer “credit card touring” sem precisar de racks traseiros. O mercado de 2ª mão para bicicletas de estrada tem uma liquidez impressionante e a desvalorização é imensa.

Outra hipótese é fazer o mesmo de há uma década para cá, ficar quieto… 😛

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