ponto de situação

O back to back do fim de semana passado deixou marcas, especialmente a corrida mais rápida no sábado em asfalto. Esta semana corri apenas uma vez, o percurso do Esquilo Trepador, mas em solitário. Bati os meus PR’s quase todos, incluindo o mitico cozido, mas senti-me cansado e optei por não correr mais. Amanhã vou fazer mega treino com o amigo João Paiva, estamos a apontar para uns 40-45km em Sintra seguindo o percurso do Monte da Lua quase todo por inteiro, apenas com um pequeno atalho. Será o último grande teste, nomeadamente, para uma boa estratégia de preparaçao dos pés contra a bolhas.

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estratégia anti-bolhas

Ontem ao fim da tarde senti um ameaço de bolha na planta do pé direito onde me apareceu a bolha no UDP. A pele está bem e a bolha não apareceu, mas desde a tenebrosa experiência na UDP que fiquei com trauma de bolhas. Ando a testar combinações de meias e sapatilhas, mas já estou a perceber o que problema vai para lá disso – depende disso, mas vai para lá. Este site http://www.blisterprevention.com.au contem informação interessante (e gratuita) que ainda estou a processar. Podemos aceder ao guia avançado de “blister prevention” apenas dando o nosso e-mail para a newsletter. A leitura está a revelar-se interessante. Por exemplo:

Rubbing underneath the skin causes blisters, not on top of it! As the bone moves one way, the force of friction keeps the surface of the skin stationary. And the skin in between is made to stretch (shear). When shear is excessive and repetitive, it causes a tear just under the skin surface – the initial blister injury. Then it fills with fluid to become a blister. Rubbing underneath the skin (between skin layers) causes blisters. Rubbing on top of the skin causes the blister to deroof.

Não posso ir para o UTAX deixando entregue ao acaso o ter bolhas ou não. Espero já no próximo fim de semana testar a estratégia anti-bolhas que levarei para o UTAX.

blister care at an ultramarathon
blister care at an ultramarathon

ponto de situação e subidas

Hoje, mais um STE versão XL que criei com o amigo João que hoje não pode vir. O tempo foi bastante semelhante ao que fiz com ele, apenas menos 10 minutos de total, mas já lá vamos.
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Parti ainda de noite, às seis e pouco da manhã. Desta vez levei uma garrafa de Perpetuem para 3 horas.
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Vi o nascer do sol e quando cheguei ao topo da pedra amarela ele já despontava por cima da primeira parte da serra. Paisagem espectacular que não consegui captar decentemente com este telemóvel, mas deu-me vontade de cá voltar com o equipamento fotográfico para apanhar este momento.

sintra

O percurso é mesmo agressivo. Não acho fácil encontrar tão perto de Lisboa uma coisa com 31-32k e quase 1800m de desnível a não ser loops muito repetitivos.

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Mas o que verdadeiramente conta é que desta vez acabei a sentir-me bem e nunca estoirei. Pode ser do Perpetuem que resolvi levar desta vez e o tempo muito mais fresco ajudou, mas sei que se deveu grande parte à minha disciplina de pace. Com o João fomos um pouco mais aos repelões e sprints. Aqui mantive um ritmo absolutamente constante e evitando ao máximo “o estoiro”. A análise cardíaca deste treino…

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…comparada com a do treino de há 15 dias.

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É dramática a diferença (o suffer score é algo como 340 vs 500) e isto para dois tempos praticamente equivalentes. Se há coisa em que sou bom (haja uma) é em conhecer-me e saber gerir o ritmo. Em todas as provas onde participei até hoje ganhei sempre posições do primeiro check point para o último e nas maratonas tive splits ligeiramente negativos com um pace muito constante. Foi um teste importante porque quis experimentar o ritmo que penso ser plausível no UTAX. Cheguei ao fim destes 30 a achar completamente plausível outros 30 no mesmo ritmo (mais 80km é outra história, suspeito que o fim será modo de sobrevivência). Para a semana faço o track do Monte da Lua com o João, são cerca de 50kms e vamos bem lento.

Com o ter feito um STE na 2ª feira e ter feito hoje este STE XL, se alguém duvida do “power” destes percursos, a prova está aqui, no strava dentro do grupo dos esquilos de monsanto, estou em 7º em km’s (e falta uns 15km amanha), mas em 1º lugar no desnível: 3194 metros em apenas dois treinos (o 3º foi praticamente plano) no Baleal.

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Estou contente por me ter determinado a treinar desnível. É o meu ponto fraco, as subidas. Hoje cruzei-me duas vezes com dois atletas vagamente familiares, pelo menos um deles, pareceu-me ser daqueles do “top” e se o vir reconheço-o. Eram os dois, daqueles de pernas depiladas e equipamentos muito Salomon. Na subida mais violenta de 300m em rampa passaram por mim como se eu estivesse parado. Já tinha tido esta experiência com o José Carlos Santos e outros tops, mas desta vez foi absurdo. Ainda pensei “estão só a fazer um treino curto”, mas passado 3 ou 4 horas cruzei-me de novo com eles e iam na bisga na mesma, a subir o que eu ia a descer. Impressionante!

não vou esquecer

Hoje mais 10km de corrida a empurrar o carrinho com a minha filha pelo parque da Belavista. Belíssimo final de tarde e senti-me bem. A certa altura ela fartou-se (aos 50 minutos) e queria andar um bocadinho a pé. Podia ter insistido que sei que ela não teria uma birra, mas não tive problemas em interromper o treino e andar devagarinho com ela. Parei o carrinho ao pé destes paquistaneses ou indianos a jogar criquete e tirei-a de lá de dentro.

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Fartou-se de andar. Quis depois empurrar ela o carrinho para me imitar e em plano até estava a ser razoavelmente bem sucedida, desde que eu de vez em quando corrigisse a trajectória.

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E ao ficar mais cansada, perguntei-lhe “anda filha, para o carrinho outra vez, o papá empurra-te” e ela “não, papá, dá-me a mão, vamos os dois a pé e tu ajudas a empurrar o carro”. E assim fomos os dois de mão dada, a empurrar o carro.

E aquele momento ficou gravado na memória. Às vezes sabemos que ficou. E agora sei que nos momentos mais difíceis que me esperam no UTAX, vou-me lembrar da minha filha a dar-me a mão e a levar-me. Não se fazerm 112km +6000m apenas com o físico.

power walks e recorde pessoal nos mil metros, maratona sub 3h

Ando a dormir pouco e mal e voltei a ter a minha filha, pelo que a disponibilidade para treinar (e tempo para repousar) não é total 🙂 Assim, 6km só a ir correr ou andar rápido com o carrinho. Ontem fui a pé do trabalho a casa (5km) a andar o mais rápido possível e assim fazendo algum exercício. Não é estúpido treinar andar, andando e no UTAX vou inevitavelmente andar muito. Andava a cerca de 10’/km e agora já ando nos 8’30”/k. Notei hoje os gémeos doridos. Isso deve-se à rotação que imprimo ao pé, algo que não sucede na corrida em que a passada é muito mais curta. Na caminhada rápida podemos carregar com a biqueira do pé na parte final da passada.

Hoje 45 minutos espevitados pelo EUL, sem tempo para mais, mas no Campo Grande resolvi fazer um pequeno teste, há muito que não treinava uns 1000m planos full speed. Bati o meu recorde dos 1000m por uns 15 segundos, mesmo estando cansado e não ando a treinar velocidade.

1k

Senti que podia ter feito 3:15 num esforço mais extremo, no limite e, aliás, fiz isto depois de 40 minutos em ritmo tempo, não foi propriamente um teste tipo séries com apenas 10 minutos de aquecimento. Também apanhei vento. Fui ver no McMillan Running Calculator e no dia em que fizer 1000m em 3 minutos ou quase,  estou pronto para tentar 10k em 39 minutos também num teste do género e, se passar o teste dos 10k, posso tentar um ciclo de treinos para uma maratona sub 3h… 42km a 4:15/km… já me pareceu mais impossível. Mas isso lá para depois do MIUT 2016.

Para já fiquei feliz de ver uma evolução e que se confirma que a minha estratégia de conciliar as duas disciplinas, estrada e trail, tem os seus benefícios. A estrada é o que me prova que estou melhor e me motiva, o trail é onde vivo aventuras.