caminhar

Percebi, neste ciclo de treinos em que praticamente não tenho pedalado casa-trabalho devido a 1) estar muito calor 2) estar entretido a ler no Metro 3) sentir cansaço, que os 80km semanais de bicicleta que fazia acresciam mais cansaço do que eu pensava. E que podiam mesmo ser responsáveis por pequenas pontadas na zona dos joelhos.

A vantagem da bicicleta para além da poupança e rapidez, é permitir-me treinar em dias sem tempo nenhum, por me ocuparem as deslocações com algum exercício num 2 em 1.

Mas vem aí uma ultra de 112km e a caminhada rápida e possante será uma ferramenta indispensável. No Transvulcania percebi isso naquela tentativa falhada, ao km 70, de ultrapassar um tipo que ia andar, apesar de eu ir a trote.

Vou começar a tentar introduzir caminhadas fortes de cerca de uma hora casa-trabalho de vez em quando, mesmo em dias de treino leve, por exemplo, como bi-diário.

E quanto à utilidade de andar em ultras:

A study published in the Journal of the Royal Society Interface in 2013 revealed that runners conserve energy if they walk and run.

There’s little doubt that a brisk walk after a period of intense effort, allows the body to recover and reboot. So a strong run for a mile (1.6km) followed by a brief walk of around a minute, can be sufficiently refreshing that your effort levels increase for the next interval segment. The break in running can also correct any running form and technique issues which again, can assist in faster times.

Why walking can help your running.

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não pensar

Apostei que Luis Alberto Hernando​ vencia o UTMB este ano. Ficou em 2º, Xavier Thevenard​ venceu e é realmente um atleta “feito” para e nos alpes. Da entrevista de Luis, video abaixo, realço isto, Brian pergunta-lhe: “ganhar uma corrida de 5k, 10k, seja o que for, é difícil, mas qual é a diferença para uma de 100 miler (170km neste caso)”? e o Luís responde em espanhol (com tradutor)

“não podes pensar, deves evitar pensar ao máximo pois qualquer pequena coisa pode servir de desculpa para desistir, o importante é avançar, se não podes correr, andas a pé”

Memorizar isto para o UTAX….

back-to-back lento

Saí completamente ao acaso, a sentir-me destruído dos 31km em Sintra ontem. Pensei em 45 minutos no mínimo, mas afastei-me de propósito, pensei em 60 e 90 minutos, 1h45 e finalmente meti na cabeça que faria 2 horas e pronto.
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Depois foi um banho de imersão das pernas em água fria e ler um pouco na banheira. É um bom truque de recuperação. O frio da água activa a circulação e isso ajuda a recuperar. Bebi um smoothie no McDonalds, estou viciado neles. Em casa fiz outro, dois iogurtes, mirtilhos, gelo, água BwWWZZzzzz… saiu bem, mas precisa de ajustes. Ainda não consigo fazer o smoothie perfeito. Apetece-me dormir uma longa sesta.

algum épico, em dia de UTMB

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Fui com o amigo João, primeira vez que treinamos juntos, apesar de termos já feito umas quatro provas juntos (Cucos Extreme, Ecomaratona, Paleozoico e UDP) e de irmos fazer o UTAX e, ao que tudo indica, o MIUT (ele está onfire!).

Calhou bem, fomos ao mesmo ritmo. Ele é melhor corredor do que eu, corre há mais tempo, mas treina menos vezes e vinha de uma paragem, pelo que aqui íamos com o mesmo espírito e ritmo.

A ideia foi explorar uma expansão ao STE clássico acrescentando-lhe mais desnível e uns kms, em direcção a Penedo. Não ficou mau. Quase 1800m para 31km é uma % de desnível igual às provas mais difíceis.

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Esteve mesmo muito, muito calor no fim. Já apanhei dias tórridos, mas as últimas duas horas por volta do meio dia, uma da tarde, foram um suplício nas duas últimas subidas, um forno sem uma aragem e a terra clara ou areia a reflectir o sol… Assei! Passei mesmo mal e já nem conseguia correr a não ser em down hill. Felizmente o João também quebrou. Fomos muito bem até aos 25-26, mas os últimos kms’ foram mesmo fracos.

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Apesar de ter ido com calma, o percurso do STE não perdoa. Rampas feitas a bom ritmo dão direito a pontos no vermelho e isto com bastões e sem ir a trote.

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Foi bom o pequeno estoiro, eu até gosto. Tinha alguma ressaca de ontem ter ido jantar e abusado no vinho e no whisky final. Mas em treino a minha filosofia é que vale tudo e quanto pior nos sentirmos, mais o treino ajuda a relativizar o que vamos passar numa prova a sério. É como um simulador do que podem ser os 50-60km de uma prova de 112km.

Uma nota, fizémos ambos 6º em 202 atletas no Strava, num segmento de downhill bastante popular, o trilho húmido DH monge. Lembro-me de “acelerar” ali 🙂

Amanhã veremos como me sinto. Uma hora faço de certeza, mas veremos se faço em desnível ou declives suaves. Tinha pensado num back to back mas este hoje mais duro do que tinha previsto (4h em vez de 5h).

como motivar para corrida

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Poucos dias depois de completar os meus primeiros 5km, em sofrimento e a desfalecer, tomei conhecimento do ultra running, nomeadamente, do UTAX, por acaso, a navegar online. Fiquei incrédulo e quando mais via sobre a prova e descobria que afinal havia muitas provas deste tipo, mais incrédulo fiquei com a capacidade daqueles atletas. Afinal, eu mal conseguia sofrer 5km , imaginar mais de 100 estava para lá das minhas capacidades.

Foi há 2 anos e um mês.

E eis-me a menos de dois meses de partir para o UTAX, 112 km e mais de 6000m de desnível positivo. E a ver a mesma incredulidade da parte das pessoas “normais” que pensam que há qualidades sobre-humanas no plano físico para completar uma ultra assim.

Na realidade, não são bem as qualidades físicas as mais importantes para terminar uma corrida destas no tempo limite (26 horas neste caso), especialmente se não formos em modo competitivo mas sim de finisher / survival. É sobretudo mental e aqui distingue-se um pouco da maratona de estrada por exacerbar mais esse lado. Alguém muito teimoso e com resistência ao sofrimento ganha a alguém mais rápido mas mais pessimista ou sensível.

Tem a ver com o que Tim Noakes chamou de teoria do “central governor” (que já tinha sido avançada em 1922 mas abandonada): um mecanismo no cérebro que é responsável por nos sentirmos cansados ou exaustos durante um exercício, não sendo esta sensação directamente relacionada com os factores propostos por modelos mais fisiológicos e que envolvem a energia que se esgota, o oxigénio, danos musculares, ácido láctico que acumula em anaeróbio etc. Ou seja, esta teoria – cada vez mais aceite – é de que o corpo não é bem uma máquina como um carro, mas que as sensações de cansaço e exaustão são também influenciadas por uma espécie de termostato no cérebro.  cérebro faz o switch off para a exaustão para se proteger e deixa-nos de rastos muito antes da real exaustão poder sequer acontecer.

As ultras são mais extremas neste domínio em particular, mas isto vai para lá do meu ponto aqui.

Em todas as provas e treinos mais duros o central governor vai falando cada vez mais alto e diz: desiste, pára. E aí entra o lado consciente que tem de forçar o movimento e contrariar essa mensagem, uma força de vontade à prova de bala.

Uma parte dos treinos é conviver com essa sensação e habituar-se a ela e contrariá-la. O próprio treino em si, o acordar, equipar-se, ir treinar-se, é um teste. Claro que há extremos e nem todos os corredores se tornam ultra runners ou maratonistas sub 3 horas. Preferia até nem pensar em corrida propriamente dita, mas abrir aqui o leque de actividades.

Continuo a insistir neste ponto: não é possível motivação substancial baseada num benefício como saúde ou emagrecer, porque essa motivação não será suficiente para derrotar um central governor contrariado e transformará os treinos num martírio e indisciplina.

O que pode acontecer, fruto de muitos factores, é alguém passar a gostar de um desporto qualquer depois de experimentar por esses motivos. Eu comecei a correr por “obrigação”, porque queria emagrecer e ser mais saudável, para fazer maratonas de BTT em vez de meias maratonas de BTT. Aconteceu que gostei ao fim de uns meses e depois fui sempre traçando objectivos e comprometendo-me comigo, com os outros.

A fase mais difícil e que exige mais motivação é o início. Tive todas as piores lesões no primeiro ano ao ponto de pensar em desistir. Pesava 86 quilos, hoje peso menos 10kg, são como 2 garrafões de cinco litros às costas: coitados dos meus joelhos, do meu coração! Fumava 1 maço e só deixei a 1 mês da minha 1ª maratona de estrada! Se começamos desporto aos 30’s e tais, 40’s e tais, o nosso corpo é um carro de sucata. As sensações são geralmente desagradáveis.

Se não conseguimos correr “fácil” ou então temos de correr muito lento, não temos o prazer de passear. Eu fazia treinos de 3km às voltas no INATEL.Era muito aborrecido.  E sobretudo, a nível de peso por exemplo, tinha zero efeito. A maior parte do exercício que as pessoas fazem não é muito relevante para perder peso e depois desanimam. Ou têm lesões e não voltam à carga, ficam obcecadas com médicos, palmilhas ortopédicas, cirurgias… não liguem. O corpo é o melhor regenerador. É preciso ter paciência, curar bem as lesões (lição própria), mas não desistir ou nunca se passa à fase 2. Alguém que tenha sempre problemas quando corre xis km’s por semana, mas queria correr mais, tem de mudar a abordagem. Ou o tipo de treinos, pisos, desníveis….

Para passar por essa fase, o truque é um plano fácil e progressivo que possa ser divertido e com vista a uma corrida / objectivo.

Infelizmente a cultura do ginásio coloca demasiada ênfase no sacrifício, na dor, no castigo. Vale tudo no início, uma pessoa pode começar a correr por querer perder peso ou melhorar a forma, como um sacrifício para ter um fim. A certa altura, a corrida torna-se um fim em si.

O meu grande objectivo é essencialmente este, mas pode variar de pessoa para pessoa e consoante a fase da minha vida:

quero viver enormes aventuras na natureza por todo o mundo e ter a euforia da sensação de superação

Coisas como as ultramaratonas mais difíceis do mundo e mais bonitas, e maratonas emblemáticas, podem dar-me memórias que mais nenhuma coisa me dá. São dias especiais gravados para sempre, porque são desafiantes a vários níveis, aventuras diferentes e reais em que descobrimos um “eu” que está aqui escondido e que é sempre mais forte do que pensávamos.

Numa fase posterior, hiking por trails com a minha filha, se ela quiser, montanhismo, etc. Quero fazer essas coisas ainda com 60 e tal anos pelo menos ou mesmo mais. Isto a mim inverteu-me um pouco a sensação associada a envelhecer, ou pelo menos atrasou. Sinto-me melhor hoje perto dos 40 do que com 20 e sinto que vivo mais aventuras. Detesto o “has been”, o complexo da pessoa que vive de recordações dos glory days em vez de ter no horizonte coisas espectaculares.

O estar um pouco mais saudável é só uma consequência disso. E o poder (ter de) comer mais.

Cada um tem a sua inspiração, o seu motivo e o seu desporto. Mas tem de ter uma inspiração maior e ter paciência. Ser gentil consigo próprio e ter curiosidade para procurar e descobrir o que o inspira. Eu tento sempre, mesmo num treino repetitivo no Estádio Universitário, ver uma nuvem diferente, ouvir os meus passos, brincar a tentar não fazer barulho a correr (melhorar a passada), observar as pessoas, respirar fundo… Depois de uma hora desta meditação real, é impossível não me sentir melhor.

fase boa

Ontem ao fim da tarde, uma hora em ritmos fáceis, voltei aos 5:30 dos pré-maratona de Málaga, mas com muito mais volume e desnível.
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Continuo sem saber se tenho as zonas bem calibradas depois dos ajustes que fiz… começo a achar que não, exclusivamente pelo Suffer Score do Strava. Não acho muito realista um “Suffer Score pesado” quando não senti de todo que  fosse pesado. Contudo a análise do ritmo em si parece-me acertada.
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Hoje, outro treino com os Esquilos, o Esquilo Trepador em Monsanto às 6:00. senti que foi mais duro do que o rolador de ontem em asfalto. Só não foi mais porque teve pausas entre rampas para o grupo se reagrupar, mas acho que o score não traduz a diferença de um para o outro (diria que o de hoje foi duas vezes mais duro – efeito das subidas)
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Decidi acelerar no famoso cozido e fiz um PR, mesmo com uma pausa a meio para esperar e saber qual era a variante que faríamos.
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Estou muito forte e a voar, nos meus parâmetros claro. Mesmo  no pequeno grupo  de hoje havia dois corredores mais fortes do que eu. Ainda este fim de semana no Domingo foi “humbled” pelo Zé e pelo Miguel. Mas isso tem o condão de tornar mais material  e credível um corredor melhor. Convence-nos que é possível e isso é bom. Agora é evitar lesões, porque com esta preparação vou fazer um bom UTAX.