burnout, overtraining

O cansaço que sinto agora é absurdo. Corri 50km no fim de semana com um back to back longo, 21 com desnível e 30 assim assim em cidade, mas não justifica ter dificuldades em sair da cama sequer ou agachar-me para apanhar qualquer coisa. Brincar com a minha filha torna-se penoso. Tenho de andar de gatas, construir torres de lego ou entrar na tenda dos bichos e todos os movimentos me custam.

O cansaço vem de antes. No sábado passado, aquele meu treino abortado foi um sinal claro de que não estava bem, porque até hoje nunca desisti de um treino assim. Ao primeiro km só queria voltar para o carro e não, os 35º ou 36º não justificam de todo. As minhas pernas pesavam chumbo. Arrastei-me mais 20km.

Desde a Transvulcania, nunca mais fui o mesmo. Tinha previsto descansar um mês, mas estive agora a ver o meu calendário de treinos e fiz muitos quilómetros de bicicleta.

Li isto ontem, no excelente Lore Of Running do Tim Noakes, um livro extremamente sólido, um clássico:

Transcrevo aqui página 664

once you have completed the ultramarathon race to your satifaction, it is time for a good rest. I suggest that for thee months you should do little or no running but concentrate on other non-weight-bearing function of your leg muscles to recover. Once that has happened and your legs again feel light and springy you can cnsider returning to running training (…) these findings explain why you should not expect to run comfortably for a long time after the ultramarathon (…) As a result of the damage caused by the ultramarathon, I would suggest that if you wish to specialize as an ultramarathon runner, you should race only once each year or perhaps, even better, only every second year at the ultramarathon distance. (…) If on the other hand you are an occasional ultramarathon runner, I would suggest that you only run one such race every second or third year. Finally , the advice I would have liked to receive when I was running ultramarathons is to alternate one year of running with one year of triathlon training.”

Também recomendo este artigo muito interessante (e longo): Running on Empty
Over the past decade, ultrarunning has gone from a fringe pursuit for distance freaks to a hypercompetitive sport attracting big-time sponsors. But a mysterious training condition is suddenly plaguing its ranks, robbing a generation of top athletes of their talents and forcing victims to wonder: Is it possible to love this sport too much?

Outro que partilharam comigo: As Ultramarathoning Grows, Overtraining Syndrome Looms.

Isto deu-me que pensar. Claro que eu não sou elite e não treino os volumes dos elites, mas na Transvulcania dei mesmo tudo o que tinha e o facto agora é que estou mesmo muito cansado, mesmo com volumes muito baixos. No sábado senti-me cansado no km 1 e isto quando já não corria há 5 dias.

Aquilo que identificava como problemas de disciplina e motivação e que me estavam a massacrar, podem estar muito mais relacionados com o meu corpo a dizer “chega” do que propriamente com a minha mente ou falta de força de vontade.

Tenho a Ultra Douro Paiva daqui a poucas semanas e vou na mesma, nem que tenha só de descansar até lá e quando lá for vou passear.

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2 thoughts on “burnout, overtraining

  1. Será que o burnout é o destino de todos os que fazem distâncias ultra de forma sistemática?
    Será que há quem aguente e quem não aguente e, nesse caso, quais os factores endógenos e exógenos que subjazem a essa diferença?
    E a questão mais bicuda: como “pedir” a pessoas que se focam em aguentar muito, cada vez mais, com maiores intensidades, que parem? É um contra-senso em termos de todo o esquema mental que se desenvolve. Não deixa de ser irónico que uma actividade que toma uma grande fatia da vida dos seus adeptos dependa da capacidade que têm de, volta e meia, arrumar o equipamento durante uns tempos.

    1. Sem dúvida, mas se calhar as maiores intensidades não resultam assim tão bem. O Yiannis Kouros corria metade do que corriam os seus opositores e ganhava por margens brutais. Eu não gosto de logar muitos km’s, o treino de maratona de estrada gosto, e é intensivo e sinto sempre saltos de forma. Já agora, o treino dos esquilos é excelente, acho que se insere mais na qualidade do quantidade e volume. Bem, no meu caso é mesmo só cansaço, obviamente tendo começado há 3 anos e tudo, só estou cansado. O José Carlos Santos, o meu treinador, tinha-me falado nesta questão e deu-me exemplos de nomes. E ele aconselhava-me sempre largos tempos de repouso entre provas, foi ele que mde dissuadiu de ir já ao MIUT abril passado e ainda bem. Nem sei se vou ao UTAX este ano. A solução é mesmo em parte o que eu faço com a bicicleta e devia nadar mais. Eu gosto de andar de bicicleta. Ah, eu sigo a anna frost, é impressionante o cross train daquela gente, ela antes da transvulcania (que ganhou) fez só 1 long run no mês antes, fartou-se de fazer btt, depois faz ski, alpinismo etc. O Killian também está sempre a postar videos de ski, escalada… não sei se não são candidatos a burnouts, mas pelo que vejo, diversificam mesmo muito os desportos.

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