mais notas sobre fotografia de trail

Arranjei um telemóvel CAT waterproof barato (85 euros) para a Transvulcania, sempre deu para umas fotos e filmagens meramente documentais: aquilo tem uma qualidade péssima, abaixo do que pensava. Abaixo de webcam anos 90. Não obstante, não consigo encaixar o conceito de smartphone + wilderness. Os modelos um pouco melhores em vez de terem melhor camara ou serem mais pequenos, começam com touchscreens e a aumentar brutalmente de tamanho e peso e preço. Se não for waterproof e rugged, quando levo o telemóvel vai num saco ziplock na mochila e irrita-me parar, tirá-lo da mochila para fotos. Também nunca atinei com o transporte de uma máquina fotográfica um pouco melhor, a minha compacta. É o mesmo princípio: fica na mochila protegida num ziplock bag e dá trabalho parar e tirá-la.

Mas encontrei e encomendei o modelo mais pequeno e leve de uma coisa porreira, uma mochila Mind Shift que tem a máquina num comportamento amovível para a máquina, com espuma rígida costumizável e que roda em poucos segundos para a frente.

mindshift

Já videos e reviews e aparentemente funciona, é rápido e acomoda bem a máquina (e outras coisas), incluindo um saco de hidratação. No fundo, substitui-me a mochila salomon s-lab nas ocasições em que for fotografar. Li uma review pelo menos de alguém que corria com ela e pelo menos tem arnés no peito para apertar as alças dos ombros, mas duvido, logicamente, que seja o mesmo que a salomon s-lab que é elástica e com o ponto forte da leveza e zero “chafting”.

Creio que só levarei a máquina para fotos ou em hikes propositados para isso, ou em long runs de+-30kms ou mais.A treinar para UTAX e MIUT, não é plausível ter um ritmo intenso durante a prova, vai ser uma espécie de “hike” com corrida lenta em plano e moderada a descer para ser finisher. Portanto, o que conta é mais o tempo nas pernas. Saídas de 5h serão normais e até se podem estender por mais tempo se estiver entretido a tirar fotos.

A máquina não é muito maior que uma compacta, é uma Olympus OM-D M5 mirrorless. As mirrorless conseguem ser razoavelmente compactas e leves. A Om-d m5 é à prova de água e poeiras, o que foi determinante também.

omd

O que muda bastante é o tamanho das lentes que podemos usar nela, desde uma  Pancake de 17mm que a torna extremamente compacta…

pancake

até lentes zoom, como uma 12-50mm ou uma 40-150mm

zoom

A desvalorização dos corpos das máquinas é acentuada. Uma máquina cujo corpo podia custa 1000 euros em há 3 anos, pode ser adquirida por 300 euros em 2ª mão ou 500 euros nova. Nas lentes a desvalorização é menor, embora muitas vezes haja quem venda tudo em pacote: máquina e lentes, por um preço convidativo.

Existem diferenças extremas entre lentes com especificações semelhantes. Algo que me aborreceu um pouco que neste mercado das micro 4/3 não existem lentes de gama baixa / média weather sealed. A lentes weather sealed nas micro four thirds só existem nas gamas profissionais e são muito mais caras, também por serem mais recentes. A questão do weather sealed é relevante no trail.

O tipo de lente que usarei mais nos trails é uma grande angular prime. Podia escolher uma lente zoom que começasse nos 12mm e fosse até 40mm, dando mais versatilidade, mas os zooms aumentam o peso, a fragilidade e só os modelos de topo de gama têm protecção de elementos.  A ideia é que ter algo mais simples que tem sempre a mesma distância focal e a fazer zoom é mexer os pés. Afinal sou trail runner. Também me quero familiarizar o mais possível com a lente e a distância focal e concentrar-me exclusivamente noutros aspectos da foto.

Depois de muitas reviews e ponderação, optei por uma samyang 12mm / F.2 , que corresponde a 24mm numa full format. Hesitei entre essa e uma pancake 17mm, mas como também terei uma prime de 25mm para usos “normais”, achei que ter uma lente mais extrema era mais interessante. Para escolher a lente também procurei ver muitos exemplos de fotografias de grandes angulares para este tipo de máquinas e qual o tipo de fotogrofia que eu idealizo fazer. Há um ponto (ex: 8mm) em que as imagens começam a ficar demasiado distorcidas numa micro 4/3 são as “fish eyes”.

Procurava o maior campo de visão possível com a menor distorção e os 12mm parecem acertar no ponto ideal. Existem trilhos, por exemplo em Sintra, em que gostava de conseguir captar uma atmosera de envolvimento das árvores. Exemplos de fotos tiradas com esta lente:

exemplo5 exemplo4 exemplo3 exemplo2 exemplo1

exemplo exemplo3 exemplo1

(não podia faltar a igreja, uma lente destas tem a vantagem de ser boa para arquitectura também).

Bom, há mais items necessários. O tripé. Aqui de novo as exigências especiais do trail. Tripés em carbono ultra leve são muito caros, como se esperava. A máquina é demasiado pesada para o gorila pod da miha gopro, embora haja modelos mais robustos.

gorilapod

Ainda não resolvi este problema, mas o gorilapod será provavelmente a melhor opção. Para quê o tripé? Um dos motivos pelos quais algumas fotos de paisagens são tão nítidas e ricas, com muita profundidade de campo (tudo focado) e cheias de detalhe, prende-se com aberturas mínimas que exigem tempos de exposição longos que fariam a imagem tremer.

Outra razão prende-se com tempos de exposição mais longos que conferem dinamismo a uma imagem, como o movimento da água do mar ou de um rio. Embora para mim isso seja marginal,  há um que quero captar particularmente: o vento.

wind

O vento é para mim aquilo que mais confere um tom algo dramático a certos runs que faço nos sítios mais altos.. Ver rajadas a varrer cearas ou as copas das árvores em sintra a agitar-se, é algo que gostava de captar com o “blur” de uma exposição longa em que partes da imagem ficam desfocadas. O trail running não é propriamente estático e se há algo que por vezes me aborrece na landscape photo é a sensação de “freeze”, de postal. Nem que seja um nascer do sol ou nuvens a rolar no céu, o trail runner vive sempre num movimento perpétuo à sua volta. Não é uma contemplação em que a natureza podia estar num museu. Vemos tudo um pouco desfocado e sintetizado, temos o coração a 1000.

Não sei como conferir estes efeitos sempre mas, e aqui entra o terceiro possível uso do tripé, prende-se com algo que já fiz em menorca: self portait, mesmo sem tripé, com a Lumix Lx7 (aqui usei um efeito de pós processamento para um ar mais vintage às fotos e dar um pouco mais de dramatismo e contraste no céu azul e nuvens). Metia timers de 60 segundos, corria para trás e depois voltava ou vice versa. Ou seja, se a imagem é estática, meto-me lá eu a correr.

eu3 eu2 eu1

Foi sem tripé, apenas deixando a câmara em muros e pedras e com um timer. É uma questão de ver quantas vezes precisaria mesmo de um tripé.  As fotos podiam estar melhor, por exemplo, com tempos de exposição um tudinho nada mais longos, para que eu ficasse mais desfocado (os pés, os braços por exemplo), sugerindo movimento. Creio até que ficará mais interessante se eu for apenas muito desfocado numa exposição de 2 ou 3 segundos, a sugerir movimento de forma mais forte. Ou mesmo mais longa e a sugerir apenas um fantasma…

Ainda há mais tópicos a cobrir (filtros: polarizador e densidade neutra) mas tenho de almoçar.

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One thought on “mais notas sobre fotografia de trail

  1. Há aqui matéria para comentar em barda… mas escrever no tlm na dá mt jeito…

    Parabéns pela escolha da camara, tenho ideia que é surpreendentemente boa. O conselho que te dou; compra as melhores lentes que o teu orçamento permitir. Se te mantiveres nisto verás que as camaras vão e vêm mas as boas lentes ficam e conservam o valor.

    Tenho umas Nikkor daquelas do tempo guerra do Vietnam que ainda hoje estão para ai para as curvas. Essas não me importo de as levar para o trail, de certezam que não se estragam.

    Quando a tripés, mesmo com pernas em carbono não há grandes atalhos. Ou são bons, pesados e caros ou então deixa estar mais vale uma pedra. São os meus 5cent.

    Mas lá está, é conversa para vário treinos longos. Se já te apetecer fazer 35km em Monsanto amanhã às 7h30 apita

    Abraço

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