meditação e corrida

Aproveitando a pausa na corrida pós transvulcania tenho feito mais ciclismo diariamente (mas só casa-trabalho!) e lido isto (e mais 2 livros de corrida e mais 1 de espionagem)

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Focando-me no da meditação:Gosto de explorar todas as facetas da corrida e já não é a primeira vez que me interesso por meditação e budismo. Estudei-o por volta de 2009-2010 e apesar de nunca ter sido “convertido”, muitos conceitos ficaram e creio que foram úteis em certos momentos.  Tentei meditar e nunca consegui de forma consistente. Acho difícil que pessoas mudem só pela atracção de uma ideia ou vontade: a prática é tudo. Um católico é alguém que reza, vai a igrejas ou a missas, aplica princípios no seu dia a dia, conscientemente, em certos momentos, pelo menos. Um católico-não praticante é o mesmo que um corredor-não prtaticante. Alguém que gosta de corrida e acredita nos benefícios na corrida, mas não corre, não é muito diferente de um sedentário. Dito isto, voltei a reencontrar os conceitos, mas desta vez pela prática da corrida de longa distância. Descobri sem qualquer dúvida que preferia correr lento e longe do que rápido e perto. Que preferia o teste da resiliência, da vontade, à cronometragem de provas de 10 mil metros que voavam demasiado rápido e não me satisfaziam.

Nos  workshops de Sakyong surgem muitos ultramaratonistas. Um corredor tem mais facilidade em meditar ou é posto mais depressa em contacto com situações em que está a fazer algo físico e o ruído da mente se tenta intrometer em algo que é simples. Quem não sentiu, durante uma prova, um desalento por algo correr mal? Ou a sensação quase esmagadora dos quilómetros que falta percorrer e que pode surgir até quando só faltam 3km depois de fazer 39 numa maratona ou mesmo 70 como foi o meu caso na Transvulcania? Ou ter stress, pensar no trabalho a meio e um treino e sentir angustia? Ou pensar em coisas tristes?

A meu ver, onde realmente se faz o teste à resiliência é nos treinos diários e começa em sair da cama e calçar os ténis.

Sakyong Mipham é taxativo a dizer que correr é correr e meditar é meditar, mas que corpo e mente estão ligados e que o método de treinar a mente é semelhante à corrida. Ele diz aquilo que talvez me pudessem ter dito antes de forma mais plausível na primeira abordagem à meditação: é preciso construir uma base, lentamente, passo a passo, com disciplina diária. Eu não acreditaria se não tivesse visto em mim, passar de aguentar 5kms a 7:30km até correr maratona a 3h30′ e ultra de 80km em pouco mais de um ano. Sakyong diz que na meditação é o mesmo e que no início há dificuldade extrema em não deixar a mente divagar, mas que é preciso fazer diariamente e apresenta uma espécie de plano ou, pelo menos, de fases. No início basta o foco na respiração e tentar não pensar em nada. 10 minutos, depois estender os períodos ou frequências. Penso que vou dar uma hipótese e tentar.

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2 thoughts on “meditação e corrida

  1. Tenho de ler esse livro!
    Já tentei por várias vezes, quando corro sozinha, concentrar-me na respiração, mas isso dura segundos, a minha mente distrai-se logo 🙂 Mas penso que, quer seja na corrida ou num local mais reservado é tudo uma questão de treino.

    1. Ainda não cheguei à parte que conjuga os dois ao mesmo tempo. Para já vejo que se incorporam coisas da meditação no método de treino ou de encararar a corrida e os resultados, por exemplo, ser gentil connosco próprios e encontrar motivação. Até é interessante ter lido isso neste momento. Descobri que tenho a grande motivação, mas está-me a faltar é a pequena. Ou seja, quero correr o MIUT por exemplo ou a Spartathlon e correr até ser velhinho, mas está-me a custar motivação de curto prazo e por isso pensei nas maratonas de novo porque aí temos minutos por km’s, recordes para bater, etc. etc. Quanto à respiração, é uma boa forma em certas provas de reduzir o ritmo cardíaco. Nas maratonas de estrada sinto que chega sempre a um ponto em que respiro conscientemente de forma mais profunda para relaxar e ver se “encaixo” naquele ritmo sem ter a sensação de estar a morrer! 😀

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