a minha fiel companheira

Pronto, lubrificada e pneus novinhos flatless Schwalber Marathon Plus. Penso que as mudanças não estão desafinadas mas já faço uns testes. Não foi fácil entender-me com o nexus hub da roda de trás, nunca a tinha desmontado.
birdy

Queria deixar aqui uma pequena declaração de amor à minha querida e fiel Birdy. Quando a comprei há uns 5-6 anos, todos disseram: “o quê? dar isso por uma bicicleta?” Mas eu sabia que era para muito longo prazo e que estava a comprar uma coisa utilitária, que no longo prazo tendia a gerar poupança (estimo que já vá em 800 euros). E para mim tinha de ter um elemento de diversão e performance. A Birdy tem um pouco o estatuto de clássico neste momento e há clubes de fãs, sendo uma bicicleta muito popular na asia.

birdywhite

Posso dizer que em Portugal fui certamente dos primeiros a ter uma Birdy e dos primeiros a andar de bicicleta dobrável em Lisboa. Há 5-6 anos não me recordo de ver pessoas com dobráveis (também havia dramaticamente menos ciclistas). Na verdade eu não recomendo dobráveis de gama baixa a ninguém nesta cidade. Pelo mesmo dinheiro, investir sempre numa bicicleta normal o mais simples possível, ou sem suspensão ou então pode ser uma de BTT rígida velha com pneus de touring, estrada etc. As bicicletas de BTT reconvertidas costumam dar óptimas bicicletas urbanas para lisboa, mas é essencial  bagageira. É possível ter uma grande bicicleta urbana por menos de 200 euros, sendo que grande parte desses euros prendem-se mais com os acessórios que são indispensáveis, como uma bagageira (panier rack) e isto sem incluir extras tipo um selim, malas, luzes, etc.

A escolha resultou da minha experiência com bicicletas e de bastante pesquisa. O que a torna especial? Tem um corpo monocoque em alumínio com uma geometria  que a torna mais leve que a concorrente bromptom por exemplo e sem as dobras a meio do quadro das dahons ou dos modelos de gama baixa. E composta de blocos sem “dobradiças” e é o próprio peso do ciclista que a “fecha”, em vez de forçar pontos a meio do quadro que depois têm de ser reforçados e acrescentam peso.  Tem uma suspensão completa que confere estabilidade e que permite velocidades mais elevadas mesmo com rodas de 18″ (que são muito mais duras e Lisboa é terrível). Posso dizer que a velocidade em plano sem vento na mudança 7 ou 8 é 30km/h o que é bastante bom. Em descida na 8 passa os 40km/h mas depois acabou. Não se sente falta de velocidades adicionais porque na verdade mesmo com a suspensão completa, a roda de 18″ não lhe dá a estabilidade necessária para velocidades tão altas, sendo isto comum a qualquer bicicleta de roda 16-18″. Contudo, em 95% do tempo as velocidades são mais do que suficentes.

A geometria do quadro é inovadora, não afunda nas travagens, mais precisão e controlo. Neste caso tem 8 velocidades num nexus hub (versão city premium) que em 5 anos precisou de zero afinações e que resultam num corpo mais estreito, mais robusto e que suja menos (as mudanças estão no eixo traseiro, não existe desviador etc.)

O facto de ser dobrável na prática torna-a extremamente flexível. Por exemplo, às vezes um colega vizinho dá-me boleia: a birdy cabe num porta-bagagens e dobra-se em 10 segundos, também posso ir jantar fora com ela, cabe em qualquer cantinho de restaurante- no worries com roubos, vou buscar o meu carro de biclelta (não posso estacionar perto de casa) etc. etc. A roda de 18″, comparando com rodas de tamanhos normais (26″, 29″, 700cc etc.) acaba por dar mais manobrabilidade em coisas como subir 2 andares sem elevador umas escadas estreitas, arrumação em casa, entrar numa carruagem de metro, fazer slalom por entre trânsito e pessoas. A roda mais pequena também contribui para uma mais fácil aceleração, ideal para condução urbana e é mais rígida e imune a empenos.

A bagageira incluída na versão city premium permite-me levar 2 sacos enormes equivalentes a qualquer bagageira de outras bicicletas. É o meu cavalo de carga. Chego a levar os alforges cheios das compras e a minha filha às costas no baby carrier. Também lhe incluí os guardalamas. É nestas coisas que se distingue o commuter sério daquele que brinca. Eu uso a bicicleta faça chuva (mesmo torrencial) ou faça sol. Quando está mau tempo, os sacos levam mudas de roupa (sapatos, calças, meias) e chegando ao escritório posso vestir-me rapidamente.

Tenho-a há mais de 5 anos. Já leva cerca de 3500km, mais de 2000 estão registados no Strava e estimo que tenha poupado uns 800 euros pelo menos. O curioso é que ao contrário e tantas coisas que adquirimos, a minha utilização dela tem vindo a aumentar, muito por culpa de ter começado a correr. Como perdi uns bons 10kg e melhorei a minha condição física, passei a sofrer bastante menos e a andar mais rápido, com menos cansaço entre dias. Tornou-se possível fazer casa-trabalho todos os dias da semana, na casa dos 60km semanais, todos com desnível, sem me sentir demasiado cansado. Ou seja, o motor dela foi melhorando.

Não posso deixar de recomendar aos ciclistas de fim de semana que comecem a correr, porque é nítido que é impossível um ganho de forma interessante só a passear aos fins de semana, 1 vez por semana. A corrida permite um treino cardio muito mais intenso e afecta o peso e a % de massa gorda de uma forma mais eficaz. É possível treinar 3-5x por semana com alguma facilidade.

Nem sequer olho para ela apenas como algo utilitário que tem de ser comparado sempre com a mota ou o carro. A bicicleta tem vantagens, algumas gerais, como funcionar como treino leve que complementa a corrida e por isso contribuiu para a minha forma, mas também é objectivamente mais rápida, prática e divertida em muitas circunstâncias. E noutras é insubstituível. Por exemplo, não tenho qualquer outra forma mais rápida e prática de levar a minha filha à creche.

Conheço vários amigos que até têm ciclovias quase de casa até ao trabalho e não usam bicicleta. Os hábitos são difíceis de quebrar. Habituamo-nos a filas de trânsito, ao stress de encontrar lugar para parar o carro, a greves de metro e carruagens cheias. A bicicleta fica arrumada na gaveta do “passeio de fim de semana”. Muita gente não pode, é claro, usar a bicicleta, mas acredito que a dobrável acaba por encaixar mais facilmente em qualquer esquema logístico, pela forma como se pode interligar com transportes públicos. Até mesmo ir a pé de casa a uma paragem de metro ou comboio que está a 3km pode ser substituído por ir de bicicleta em poucos minutos e com isso já ser possível deixar o carro sossegado.

E pronto. Vou testá-la!

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