90% mental, UTMB vs Ehunmilak

É curioso que o treino para uma prova de 80-100km não é muito diferente do treino de uma de 160km. A diferença – isto de acordo com o Byron Powell no relentless forward progress – reside apenas numa concentração maior de km’s ao fim de semana (back to backs). De resto uma pessoa pode treinar bem para uma prova de 160km a correr 80km por semana. Como pode treinar para uma maratona de 42km a correr 160-200km. Numa coisa parecem ser todos unânimes: o salto de uma de 80-100k para 160k é 90% mental. E sendo eu uma pessoa mental, que tal correr os 168km e +11000m da Ehunmilak no país basco, no fim de 2016, já depois de correr o MIUT e o UTAX? Recordo-me de ler um relato da Ehunmilak pouco tempo depois de começar a correr e ter ficado estarrecido. Assim como o UTAX. O UTAX foi mesmo no início. Pensei: um dia corro isto.

A propósito do UTMB: O UTMB fascina-me. Mas acho que o UTMB é o Transvulcania mas em mais forte, como prova o sorteio. O Transvulcania para lá caminha, as inscrições esgotaram em poucas semanas. É um percurso extraordinário, mas é sobretudo uma prova que atrai as elites e um enorme número de corredores de todo o mundo. Tem notoriedade. Isto cria uma atmosfera e uma mística muito especial e eléctrica, com a população local muito envolvida no acontecimento do ano. Aconselho vivamente qualquer corredor a fazer uma prova fora de Portugal, especialmente na vizinha espanha, pois não se compara o envolvimento e a energia de uma maratona de Sevilha ou Madrid com qualquer prova portuguesa. Vejo o UTMB assim e só gostaria de participar nele se sentisse que podia chegar ao top 50% pelo menos, pois pelo percurso e distância, acredito existirem alternativas. O que me atraiu nos relatos que li da Ehunmilak foi, para além de ser meio obscura (em termos relativos), foi o ser tão crua e brutal, com um número elevadíssimo de DNF’s devido ao desnível e um público que é fervoroso no apoio aos heróis. Há algo de poderoso e verdadeiro naquilo tudo. O UTMB, quero fazê-lo, mas quando e se for muito bom trail runner. É uma experiência de uma vida e quero estar num estado de forma em que penso na prova em termos competitivos, a pensar em splits e com uma estratégia para fazer em xis tempo. Como quase penso para o Transvulcania. Veremos o que sucede, sou ainda muito inexperiente, mas até hoje nunca falhei redondamente na avaliação do que era ou não possível.

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