e pronto, os dados estão lançados

Run violento hoje em Sintra em plena hora de almoço para fritar o mais possível com o calor que houvesse e com a sensação de bonking.
treino3

Escolhi o loop do Sintra Trail Extreme. É o compacto “mais compacto” de desnível que conheço em Sintra, se exceptuarmos, claro, loops mais curtos em torno da mesma rampa.
treino2

28 taças, a esmagadora maiora dela PRs em todos os segmentos por onde já passei 3-4x.

treino1

Aqui um exemplo. Desci de 32 minutos para 27. Adoro esta funcionalidade do Strava de comparar o histórico dos tempos nos segmentos ou mesmo voltas completas com 20, 30km, desde que sejam iguais.

treino5

Contudo, este run, feito sem bastões, deixou-me pensativo. Primeiro, dor muito forte no dedo grande do pé esquerdo, o do entorse, mais ou menos na ligação do osso do dedo ao pé (não sei que raio de nome se dá). Depois, pela primeira vez desde que corro e mesmo com uma ultra de 80km: uma bolha. Mas uma senhora bolha no calcanhar. Aos 15km já dei por ela. E isto exactamente com o equipamento do costume e mais do que testado. Se isto fosse no transvulcania estava tramado. Se em 19km ficou assim, imagino em 40 ou 60, ficaria em carne viva: preciso de uma solução e amanhã vou já tratar disso. Fita, pensos, seja o que for, mas tenho de ir prevenido e procurar aconchegar a sapatilha ao máximo ao pé para evitar qualquer fricção. Sei que foi potenciado pela elevada velocidade em que corri os Down Hills, bati PR’s em todos. Talvez umas meias de compressão novas?

Fiquei de novo indeciso quanto aos bastões. Sem bastões a corrida é muito mais dinâmica e fluída, sendo mais natural a transição andar / correr. Senti o joelho direito sólido, mas imaginei o que será quando apanhar a última descida non-stop quilómetros e quilómetros a fio. Senti algumas dores lombares na rampa principal (a tal dos 27 minutos). Sei que fiz este treino num ritmo acima do plausível para a Transvulcania. Por isso inclinei-me de novo para os bastões…  Indeciso até ao fim.

Foi o último run em Sintra antes do Transvulcania e o último long run. É já no próximo Sábado. Parece-me irreal. Mas estou habituado. É sempre estranho ver-me reflectido no carro depois de horas sozinho por certos trilhos claustrofóbicos de Sintra, especialmente com luz fraca. Às vezes até digo “olá!” ou “olha, tenho um carro!” Há feitiços, antas, sinais, cobras, corvos, placas a assinalar a morte de duas dezenas de militares ali mesmo, no combate às chamas nos anos 60. Às vezes as arvores rangem com o vento ou ouve-se algo a restolhar nas folhas secas em nossa direcção. Há árvores misteriosamente tombadas sobre os trilhos e temos de rastejar, há conventos, muros com musgo, slivas, fios de aranha. A cada chuvada abrem-se feridas fundas nos caminhos arenosos e pedras gigantescas ameaçam rolar. As endorfinas e cansaço fazem o resto e não há corrida que após as 3 horas não me faça ver sombras a mexer-se ou que não pare duas ou três vezes porque me parece que vem alguém atrás de mim, mas era só uma pedra que se soltou com o meu pé e veio a rebolar atrás de mim para me agredir. Correr sozinho em certos trilhos de Sintra está para correr à beira rio como o Apocalypse Now para o Power Rangers ou o Shining para o Twilight.

Advertisements

One thought on “e pronto, os dados estão lançados

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s