uma meia maratoninha com desnível à 2ª feira – estou de volta

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Saí de casa debaixo de nuvens negras e relâmpagos, direcção Monsanto. Pensei ir para lá de carro, mas estou fisgado em meter 100km por semana, todo o km é bem vindo, mesmo o km a 6:30. Se antes da lesão pensei em intensidade vs quantidade, agora o paradigma é o oposto. Até porque vou estar de férias 2 semanas. 2 semanas com todo o tempo do mundo para correr (menos ontem, a minha filha estava doentinha, coitada)

Quando cheguei a sete rios tive um mau pressentimento que se confirmou já em pleno Monsanto. Uma carga de água épica. Não costumo encostar nunca, mas desta vez às tantas tive de procurar abrigo debaixo de uma árvore grande. Fiquei ali 5 minutos no meio da mata, a ver a chuva grossa a cair com estrépito, folhas arrancadas das árvores, riachos a formar-se e eu a ficar cada vez mais gelado. Resolvi continuar a correr para me manter quente, lembrando-me dos treinos encharcados do último inverno.

E ri-me, a água a escorrer-me pela cara, como um maluquinho. Depois de uma voltas por Monsanto e pela mata escurecida pelas nuvens negras e chuva, emergi na ponte pedonal sobre a radial de Benfica e vi filas imensas de carros à chuva e eu a voar por cima deles e da linha de comboio. Aquela passagem (a que dá para o Califa) é muito alta, dá vertigens boas. Tenho a certeza que debaixo daquela chuvada os condutores que me viram pensaram que eu era louco, mas também acho que alguns me invejaram: os corredores!

Depois deste momento com as endorfinas ao rubro, seguindo a ciclovia que passa por Benfica, ao chegar a Telheiras tive uma quebra muito forte. Estava em quase jejum (não comia nada desde o almoço). Pensei em fazer os km’s que faltavam naquele estado, mas por outro lado, quero divertir-me agora e não é preciso passar pela via sacra a cada treino. Entrei num café, bebi uma coca-cola e comi uma sandes de ovo. Saí revigorado e fui em bom pace até casa, fazendo 1 km extra no Campo Grande só para fazer uma meia maratona por brincadeira.

Dores no joelho? Zero. Em caso de lesões que resultam de aumentos de carga, o meu lema é flanquear, inovar, atacar, mudar mas não parar (excepto se doer!). Tenham em consideração que é possível correr mais lento do que correm e que quanto mais lento (no limite, andar a pé), menos são os impactos e os danos. Os atletas de elite mundial correm numas passadeiras anti-gravidade quando têm lesões.

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Corram treinos mais curtos, aumentem a frequência. Testem correr descalços algumas vezes, façam musculação, core, ioga, step. . Claro, há lesões e lesões, eu refiro-me às que resultam de inflamações por excesso de carga ou intensidade. Se não dá, façam outras coisas, o meu backup é bicicleta…

Nós, pessoal de 30 anos para cima, já perto dos 40 como eu, temos pouco tempo e as lesões vão ser uma praga. Vão acompanhar-nos sempre. Até  acompanham qualquer atleta de elite. Vejo a Naide Gomes que confidenciou que fez saltos sem sentir o pé devido a uma anestesia por causa das dores e a médica lhe disse “o seu pé está lá, salte na mesma”. Leio Scott Jureck que venceu uma Spartathlon com um dedo do pé partido e uma Western States com entorse grave logo nos primeiros km’s. Nunca serei um atleta de topo, nem pouco mais ou menos, mas não desistirei por lesões de fazer um bom tempo no Transvulcânia. O meu entorse ainda está vivo, por exemplo, mas melhor. Depois logo vejo como estou e recupero para os 100km do UTAX, terei tempo.

E já agora, no meu segmento preferido em Monsanto, a rampa Tenente Martins, uma coisa com 500 metros de distância e 60 metros de desnível positivo (12% de desnível) bati hoje o meu recorde pessoal. Sei que este pessoal que ali corre não faz de propósito, eu acelero mesmo nesta rampa, mas mesmo assim sabe bem ter chegado ao 4º lugar, vejo-o meramente como indicativo e por piada, apesar de o ter feito a meio de um treino de 21km… Antes de ir para La Palma, já na fase do taper, hei de ir ali bater 2:30.

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Desafio de kms corridos em Abril no Strava: 23º lugar em 831 participantes, com 80km em seis dias. Planeio fazer 100km esta semana, veremos.

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