lesões pá

Tenho de abordar a questão das lesões em geral e da relação com os possíveis tratamentos.Toda gente sugere “devias ir ver isso”. Também me sugeriram isso em todas as lesões e todas curei, ou melhor, o meu corpo curou sozinho. O meu corpo, teimosia, investigação, criatividade nos treinos, variação.

Recomendo este artigo sobre o runner’s knee. Esta foi a minha abordagem para bater a lesão a primeira vez que a tive em 2013, primeiro num joelho, depois noutro (o que em si já dizia muito deste tipo de lesão – não era de trauma, mas sim uma inflamação de excesso de esforço). E resultou. Evitar a dor, correr e fazer o exercício possível sem dor, recuar, avançar, mas nunca deixar. Se mais de um ano depois voltei a ter a lesão foi por causa do erro de pensar que era de ferro, eufórico da experiência de Málaga em que senti que podia correr anaeróbio sempre e podia treinar intensamente sempre, sem nunca correr em fácil. À 2ª semana de ritmos loucos a bater PR’s, estalou. Lição aprendida, mas já era uma lição esquecida: a velocidade, as pancadas no asfalto a correr…. E curiosamente, estalou após a longa recta plana da Praça do Comércio até ao Parque das Nações que fiz em ritmo puxado. Coincidência? Claro que não. Foi por isto, pelas primeiras lesões no joelho, que comecei a correr trail: no trail nunca damos dois passos da mesma forma e o terreno é mais macio (depende, claro, do terreno). Isto significa que não é sempre o mesmo pedacinho microscópico de cartilagem algures a levar a pancada máxima, uma e outra e outra vez, de seguida. No trail o joelho nunca bate na mesma posição, a passada ora é mais curta, mais longa, ajusta-se, sobe-se, vira-se, desce-se, podem ser diferenças microscópicas mas contam! Numa recta longa, ainda por cima sobre pedra na parte do Parque das Nações e do Cais do Sodré, a pancada é sempre repetida e maquinal. Sempre no mesmo ponto, sempre a forçar as mesmas coisas. As passadas são todas iguais, nem há curvas. O que houver para sofrer aí, vai sofrer e muito. Vai sofrer tudo e o resto, nada. Não é à toa que os quenianos fogem de asfalto e treinam tanto em percursos ascendentes e em montanha.

Confio no poder regenerativo do corpo. Quando o motivo da lesão é abuso, a solução é descanso. Aliás, nessa fase da lesão estava com muito stress na minha vida pessoal e isso também está ligado, pois dormia pouco.

Nem sequer estou a ir pela via dos anti-inflamatórios que – sei por experiência do Paleozóico – eliminam ou mitigam muito esta dor. O artigo sugere-os, até aqui tenho preferido evitá-los. Confio no meu corpo, se ele diz que dói, eu oiço e paro. Mas vou sempre testar os limites, procurar alternativas. Sei que a solução, tal como vem no artigo, passa muito por estimular a regeneração. O complicado é cair num loop em que como não podemos correr, ficamos mais fracos, como ficamos mais fracos, lesionamo-nos.

Não sou, obviamente, contra a consulta de especialistas. O que quero dizer é que ninguém conhece melhor o nosso corpo e sintomas como nós se estivermos atentos e informados e que temos de ter responsabilidade e acção própria sobre nós próprios para vencer o que é aparentemente impossível. Já estive mais longe de comprar uma boa máquina stepper, só para treinar desnível positivo sem impacto, reforçar a parte cardio no ciclismo (hoje 16km em ritmo rápido) tenho feito mais exercícios de força, de core, etc.

E agora cá vou tentar correr de novo até casa, percurso 100% ascendente, ajustando o ritmo para evitar a dor. Nem que só ande a pé! De manhã já fiz uns 16km de bicicleta em bom ritmo.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s