maratona de estrada vs trail e Transvulcânia

A maratona de estrada feita no limite de um corredor é muitas vezes mais dura que um ultra trail, mesmo que dure metade do tempo, um terço ou um quarto. Em estrada, se temos um pace definido para bater determinado tempo alvo e esse pace está no nosso limite físico e psicológico, vamos passar uns últimos kms muito duros e ter de nos superar sem piedade. Não há cinzentos, ou fazemos sub 4h, 3h30 etc. ou falhamos. Não existem momentos de descompressão como uma subida que alivie da pancada, uma secção rolante, uma descida técnica a obrigar-nos a abrandar para vermos onde colocamos os pés ou um abastecimento cheio de coisas boas como doçaria regional, coca-cola, fruta, cubos de marmelada caseira, vinho do porto, ginja, amendoins…
Ontem corri um trail suficientemente longo (no meu caso 6h53m) para ser esgotante, mas não demasiado longo para me colocar numa mentalidade de finisher cauteloso. No RDUT (80km 4500m) pensei apenas em chegar ao fim dentro do tempo limite. Fazer 15h ou 16h ou 17h, apesar de não ser irrelevante, era o menos. O importante era acabar bem, com força. A gestão do esforço foi ultra conservadora: andei quase todas as subidas e rolei só no plano e descidas. Ontem foi a primeira vez que corri tanto tempo com tanta intensidade. Fui apenas um pouco abaixo do esforço percebido da maratona de Málaga em que fiz 3h30′. Exceptuando as pausas pela dor dos joelhos, puxei forte em subidas e plano (o meu km mais rápido foi a 5:05), procurando recuperar nas descidas ou rolando em plano se estivesse próximo do estoiro. Se nas descidas, talvez pelo joelho lesionado, me senti menos competitivo do que outros atletas do meu nível, nas subidas ganhei quase sempre algumas posições, especialmente as rampas a pique, pois o joelho não me incomodava aí. Na última até apanhei um pau para me servir de bastão e subi furiosamente e senti-me bem. Fui no anaeróbio nessas rampas e falamos de andar, nem ia a correr, mas eram tão inclinadas que o coração disparava facilmente para os 170-180bpm. Aliás, a dificuldade deste percurso era semelhante ao do Extreme Trail Cucos nesse ponto. São subidas tão extremas na inclinação que não permitem uma gestão do esforço e mesmo que um atleta se queira poupar, não consegue! No RDUT havia apenas, que eu me lembre, duas subidas assim tão extremas, uma delas a mítica Diana, mas a pior foi aquela antes do abastecimento principal nos bombeiros, onde vários atletas desistiram.

Ontem, nos últimos 3km, estava na exaustão. O último km foi penoso e contei os metros, quase me enganei numa rotunda e os populares a assistir tiveram de me apontar o caminho!

Gostava de tentar fazer algo igual no transvulcânia em maio, de tentar levar a prova assim. É quase o dobro da distância e da altitude, contudo, os declives parecem-me à primeira vista mais suaves e prolongados, a julgar pelo perfil que aparenta ter apenas uma grande subida inicial e depois uma 2ª subida com algumas quebras, seguida de uma grande descida que não me parece complicada, visto que até ali praticamente não se desceu. É uma prova que poderá ser muito difícil pelas elevadas temperaturas que se podem atingir e por alguma altitude. Gerir a hidratação e os electrólitos será essencial. Mas vou procurar esticar a corda.
preview_ultramaraton

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