Scott

Estou a gostar de ler o Eat & Run, o livro autobiográfico de Scott Jurek, um dos meus corredores preferidos. Embora as receitas vegan não me digam (por enquanto) muito e os métodos de treino sejam abordados muito pela rama (e há livros mais técnicos neste capítulo), gosto de ver como foi a vida dele e como pensa um atleta de elite neste desporto.
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Scott para mim representa o corredor americano, um corredor com o qual me identifico substancialmente mais do que com o equivalente europeu, daí fantasiar bastante mais com ultras nas paisagens dos EUA do que as da europa e com o espírito algo selvagem e puro e de melhoria holística do “eu”, sendo o eu mais do que um atleta, mas alguém estóico que desenvolve igualmente o lado espiritual. Na europa o profissionalismo e a competição é mais apurada. É quase como o ciclismo, como comparar o Tour de France com a Race Across America. Há ultras americanas lendárias com organizações simples e low profile (ex: leadville 100) e que contrastam com os mega eventos europeus mediatizados e patrocinados. O contexto é diferente. Nos EUA a natureza é gigantesca, a civilização distante. Há o desenvolvimento de um lado espiritual e próximo da natureza que é o que me atrai. Scott, sendo americano do midwest e ignorante, bebe todas as influências como uma página em branco, seja o código bushido, como o existencialismo de sartre ou os monges budistas japoneses, às vezes de forma um pouco ingénua, mas precisamente por isso poderosa, sem defesas.

Aqui scott mergulhado na sua caixa frigorífica com água e gelo a meio da badwatter.

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Nestes tempos tenho tido uma abordagem mais instintiva à corrida, não por achar que é melhor (aliás, lesionei-me, lá está) e Scott não é de todo apologista da não ciência. Ele usa todas as armas, o facto de comer vegan e treinar 120 milhas por semana não o impede de testar Vo2Max com equipamento portátil ou fazer testes de lactic treshold em laboratório. É um campeão e quer ganhar. A minha abordagem tem sido a de sofrer o mais possível, o lema “há sempre tema para descansar” e mais qualidade vs quantidade. No dia em que me lesionei fiz 3km de sprint com carrinho de bebé e faria 16km a 90% de marathon pace à noite se não me tivesse lesionado ao km 13. Mas não faz mal, não fiquei triste. Veremos se recupero e tenho de ir com mais calma em asfalto, é letal e já sabia. Gosto do lema de Scott: sometimes you just do things.

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2 thoughts on “Scott

  1. Depois de ler o Born to run do Mcdougall também acho que já me passou esse pelos olhos, mas não cheguei a ler. De facto, o lado americano tem um bocado mais de cariz épico, mas eles também têm um continente inteiro para criar as suas próprias histórias.

    Basta ver o exemplo do Carlos Sá agora naquela ultra lá no Minnesota. Há tipos especializados a correr na neve que nunca devem ter saído daquele estado ou perto disso, dos quais só ouvimos falar nestes relatos.

    Boa recuperação 🙂

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