28k com um pé torcido

Dia de regresso aos long runs de trail puro e duro. Estacionei o carro cedinho em Sintra, na parte “histórica”, comecei a correr e logo nos últimos metros de asfalto, 3km depois de começar, antes de uma descida de empedrado, há cães que ladram numa quinta, aos saltos e eu não sei como, se me distraí com eles, meti o pé esquerdo em cima de uma pedra grande de calçada que estava solta em cima do asfalto, no meio de folhas caídas. Torci completamente o pé, da pior maneira possível, metido para dentro e senti coisas a rasgar. A dor foi tão intensa que tive de me sentar no chão com a cabeça a andar à roda. Os cães a ladrar, não se calavam. Amaldiçoei a minha sorte. Tentei andar e senti-me tonto de novo, a ver tudo escuro. Resolvi voltar para o carro, era impensável fazer mais 25km. Ao fim de 100m a coxear a dor desvaneceu-se quase por completo. Começou o diálogo interior:

– Pá, vai mas é correr, vieste de propósito para aqui, podes não ter tempo para a semana.

– Acabei de rasgar merdas no tornozelo, e se agravo a lesão?

– Agravas nada. Já não te dói.

– Se calhar é de estar quente.

– Se continuares a correr continuas quente.

– Tens razão.

treino2

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De facto, o tornozelo só deu de si quando o terreno mais técnico me torcia o pé esquerdo da mesma forma. A situação só piorou quando comecei a conduzir para casa e arrefeci. Em casa tirei a meia e lá estava ela, meia bola de ténis do meu tornozelo do lado de fora. Não há de ser nada.

A última vez que corri trail foi no DUT no início de Setembro. Parece que já foi há uma eternidade e nem chegou a 3 meses. Sei que os meus horários e disponibilidade para treinar vão ser um pouco incertos e por isso o meu lema actual é para descansar tenho tempo. Posso ficar 2, 3 dias sem poder correr nada de significativo (ou mais) por isso cada treino que faço tem de ter intensidade, mesmo que pareça exagerado. Depois posso só voltar a correr quando me sentir bem de novo, sem pressão de planos demasiado rígidos.

Fui determinado a correr a maior parte das subidas a não ser que ficasse demasiado estoirado a meio ou que fosse mesmo “rampa” a pique. Mudança de paradigma, pois nos treinos pré-Setembro fui sempre a treinar para aguentar 80km e defender-me e andava quase todas as subidas. A experiência do DUT deu-me confiança que posso aplicar as intensidades dos treinos para Málaga no trail e testá-las já em Março nos Trilhos do Paleozóico. O degrau a subir neste ciclo é correr em mais subidas e ir em regimes mais elevados, procurando recuperar nas descidas e no plano. O resultado foi um pace por km bastante mais rápido do que o meu habitual nestes terrenos,

O percurso em si foi muito bom, nunca o tinha feito e foi um boa surpresa, excepto um erro grave que abomino, a certa altura o gps mandou-me direito a um muro de propriedade privada! ODEIO QUE FAÇAM ISSO! Eu não vou saltar muros de propriedades privadas para correr trail. Ainda por cima era um disparate, para fazer 1km e pouco, tive de fazer meia volta e voltar a apanhar o trilho mais à frente. Tirando este detalhe, adorei a parte final, pelo Castelo de Sintra. Temos tanta sorte, Sintra é tão inacreditável, ainda mais num dia que noutros contextos é triste, soturno, frio, escuro… ali encaixa na perfeição. Deve ser o sítio mais romântico e misterioso de Portugal. Senti-me um pouco como num video game do Super Mário ou do Sonic, um de plataformas, com os turistas a ver-me passar a correr ali por aqueles single tracks, escadas, muralhas… enfim, um dos runs mais bonitos que já fiz.

Para além do pace, fiz bons resultados em segmentos e isto num long run de 28k. Fiquei no top 10 em três e perto de nomes que conheço de seguir as provas, o strava, grupos de corrida no facebook. Foi uma bela surpresa.

treino3

Acabei com as pernas feitas num oito, ainda não estou em forma e sei que na parte final me fui abaixo. Primeiro, o track dizia 950m de acumulado mas acabei por fazer +1300m o que foi inesperado nos últimos km. Também me sinto muito cansado, mas no resto, nas sensações do corpo, correu bem. Agora preciso de recuperar e ver se este tornozelo amanhã não está pior.

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