não sentir nada

Há dois tipos de pessoas, as que gostam do contacto com a natureza e da vida física, e as que fogem dela. Lembram-me a trilogia de Isaac Asimov, que agora leio, na descrição de Trantor, o planeta centro administrativo da galáxia, integralmente coberto por uma única cidade e cujos habitantes só vêem o céu ocasionalmente, indiferentes às estações, preferindo a vida confortável nos subterrâneos modernos a que se habituaram. Diria que é uma característica que divide pessoas. E por natureza incluo sensações do próprio corpo, como dores, cansaço, exaustão, frio ou calor. Ficam incomodados quando a natureza se manifesta. Não ter dores, não ter nem frio, nem calor. Não sentir nada de aparentemente desagradável e depois por cima disso, dessa tela em branco, colocar sensações do foro espiritual, intelectual ou romântico. É uma constatação e uma característica humana. Mas tal como a distopia futurista de Trantor, visto do meu prisma, é um comportamento algo louco e irracional, precisamente aquilo de que me acusam quando digo que um dia, talvez para celebrar os meus 40 anos, farei os 330km da Tors Des Geants e que o que me custa compreender é, exceptuando a falta de tempo ou problemas de saúde, por que motivo alguém não havia de querer fazer isso.

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