o que aprendi até agora

Trabalha exclusivamente com vista a um objectivo concreto – uma corrida, um recorde de tempo dentro de 3, 6  meses, 1 ano ou mais. Dá tempo para preparar esse objectivo, mas sê ambicioso. A questão é sempre esta: aguentas o treino para esse objectivo? E estás disposto a fazê-lo? Porque se for sim às duas perguntas, é completamente realista. É essa ambição e curiosidade que te motivará. O ver se és capaz. Se não aguentas o treino, o que falta? É seres mais rápido? É evitares lesões?

Evita o contínuo de fazer provas de forma aleatória. Compromete-te. Confia na tua capacidade de adaptação ao objectivo. Sê criativo. O que mais oiço é “não tenho vida para isso”, “não tenho tempo”. A maior parte das vezes não tem sustentação. Há sempre maneira, tens é de ver o tempo disponível de forma diferente e ser inovador. Há soluções que estão mesmo à nossa frente. Não te conformes.

Nunca estagnes. Corridas diferentes, distâncias diferentes, objectivos diferentes. Nunca treines ciclos consecutivos para uma maratona, para os 10 mil… Nunca treines nos mesmos sítios, da mesma maneira, meses e meses a fio. Desafia-te. Muda trail e estrada. Não ligues aos fundamentalistas que acham que 10 mil metros no limite não é duro e que 160km é que conta ou vice versa. Troca as voltas à rotina e aos passeios, aos circuitos, roda-os o mais possível, explora os subúrbios. Evitas aborrecer-te e desanimar porque ao mudar e a regressar algum tempo depois ao mesmo que fazias, estás melhor e as diferenças são nítidas. O que treinas numa ultra de trail vai ser muito útil numa meia maratona ou maratona de estrada e vice versa.

Na estrada, evita obcecar-te por tempos no limiar das tuas capacidades, como tentar bater recordes todos os meses. Se fizeste 3h:45 numa maratona, não fiques aborrecido de fazer 3h:47 na seguinte. Ou 42:00 nos 10k e meter na cabeça que dentro de 3 meses fazes 38:00. Isso são peaners, como dizia o outro e ficas entregue a demasiados imponderáveis. Se fizeres esta alternância de que falo, de ultra vs distância menor, estrada vs trail, desnível vs plano, estás a treinar sempre para “tudo” ao mesmo tempo, e para aqueles objectivos sem dar por isso. Quando a eles voltares, tratas-lhes da saúde.

Há um ponto a partir do qual os ganhos se tornam marginalmente mais pequenos face à quantidade de horas de treino quando falamos de velocidade e há mesmo uma parede. Essa parede chega também mais rápido pelo envelhecer. Quando começares a dar com ela, não marres de frente. Muda. Melhora um PR que sabes que de certeza vais melhorar. Inscreve-te numa prova de trail, numa ultra. Desafia-te. Depois logo voltas ao PR em que estavas a marrar. E reconhece os pontos de inflexão em que o tal ganho se torna marginalmente muito difícil de obter (ou mesmo impossível).

Por isso prepara-te para essa inevitabilidade. As ultramaratonas, no meu entender, são o desenvolvimento natural no longo prazo visto que exigem um tipo de resiliência e atitude que continua a fazer sentir como vitória ser finisher e a dar um prazer de correr puro, sem números, mas com um desafio real. Quanto aos tempos é inevitável que um dia correrás os teus 10k mais rápidos. A tua meia mais rápida. A tua maratona mais rápida. Inevitável. É algo que um dia será uma memória a saborear. Encara isso como uma metáfora da mortalidade. Vale a pena preocupação ou mágoa com algo inevitável? Ou é preferível aceitar e tirar o melhor partido do que há? E vale a pena fugir de possíveis experiências e memórias fantásticas? Medo de quê? Achas que correr a Spartathlon ou a Marathon Des Sables um dia não é para ti? Porquê?

 

 

 

 

 

 

 

 

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