o meu pai e a maturidade dos corredores

Sem dúvida, em todos os treinos mais duros, nas manhãs ainda de noite debaixo de chuva, nas noites de frio debaixo da tempestade, naqueles instantes em que os treinos se transformam numa escolha binária de desiste / não desisto  e continuar, há sempre um momento em que me lembro dele, do meu pai e sinto o seu espírito a ver-me e acelero.

Em jovem foi boxeur e sobretudo judoca, depois ciclista de estrada e praticante de pesca submarina, entre tantas coisas. Era um homem que gostava das provações, dos testes, da natureza no extremo. Era competitivo e instigou-me isso, essa coisa do “provar que sou capaz”. E um bocado de basófia também, daí este blogue. Hoje ,vejo-me pai de uma menina linda e maratonista (ultamaratonista) dois upgrades face ao “projecto” de pessoa que eu era quando ele adoeceu há 7 anos e que sei que lhe teriam dado algum orgulho.

Também noto que é complicado passar por isto antes dos 30 anos e não é à toa que a média de idades dos maratonistas e ultra maratonistas é mais elevada (os amadores, sobretudo). É preciso aprender, ganhar paciência, ganhar persistência, perder a ilusão dos prazeres e ganhos fáceis que dão ressacas ou se esfumam no dia seguinte, relativizar desconfortos e apreciar momentos de paz e verdade simples.

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