estratégia para correr mais rápido: acelerar nos treinos fáceis

Como bem explica o autor Matt Fitzgerald no excelente Run By Feel, o nosso cérebro é capaz de receber e processar os milhares de estímulos diferentes que recebemos de forma contínua antes, durante e depois dos treinos e corridas. O nosso cérebro não fala connosco por palavras (excepto no caso de perturbações mentais) para explicar os resultados a que chegou. Fala por cansaço percebido, por desconforto físico ou mesmo dor. É um mecanismo de regulação natural. O processo de treino, conforme já aqui o escrevi, passa muito por convencer o cérebro de que é possível exigir do corpo aquele esforço. Mas não dá para enganar o cérebro com palavras, visto que ele também não as ouve e não as entende. Ou seja, ele (nós) precisa de provas e essas provas têm-se com treino mensurado, com resultados.

No entanto, queria aqui partilhar uma estratégia a que cheguei nos meus treinos. Comigo resulta, não digo que seja universal, mas já a apliquei em 2 ciclos de treinos e parece-me que com resultados, independentemente do que suceda em Málaga.

Se não é possível correr séries mais rápidas do que conseguimos correr ou provas competitivas, uma vez que já vamos no limite, é porém possível acelerar os easy runs de forma consciente e calculada, porque exige margem ou não se chamariam easy runs. Cada um terá o seu perfil de ritmos mediante as distâncias. Por exemplo, pode correr séries a 4:40, uma maratona a 5:35 e easy runs a 6:20, 6:30. Outro poderá ser mais rápido e ter isto tudo transposto para números menores, numa proporção parecida. Uma coisa que sempre me impressionou em alguns atletas que sigo no Strava é que o lento deles é o meu rápido. Para mim correr abaixo de 5:00 é puxado, para alguns, 5:00 é o ritmo fácil. Mas é possível eu ajustar um pouco o easy run.

Uma coisa que fiz a preparação para Madrid foi ajustar os easy runs menos 15-20 segundos por km, tentando aproximá-los dos 6:00 e não os deixar cair nos 6:30. Isso era o suficiente para transformar o que seriam treinos longos ou curtos em ritmo fácil em treinos longos ou curtos um pouco mais puxados. Em parte fiz isso agora de novo e mais extremo porque na ultramaratona o mindset é muito diferente, corre-se 1h no mínimo, alguns treinos têm 4, 5 horas, e temos é de aguentar e isso, embora não nos torne mais lentos, faz-nos estranhar a velocidade. Neste momento os meus easy runs tentam ser por volta dos 5:40, só mesmo de recuperação em que estou todo partido me deixo cair nos 6:00.

Exige trabalhar na técnica e sentir-me confortável, habituado, acostumado a correr àquele ritmo, ao novo standard. A respiração é o mais importante. Se encararmos aquele ritmo como o novo ritmo de cruzeiro e tentarmos relaxar, respirando calmamente, a pouco e pouco vamos sendo cada vez mais eficientes. Não estamos a pedir nenhum milagre ao corpo, ele é capaz de correr muito mais rápido aquela distância, só lhe estamos a pedir licença para não ser tão fácil o treino. Essa mudança tem, em minha opinião, a consequência de fazer o shift de todos os outros tempos um pouco mais para baixo. Logicamente, é preciso dosear bem isto para evitar lesões e cansaço extremo. Mas neste aspecto, podemos mexer racionalmente, já nas séries, nas velocidades limite para as várias distâncias, não é possível decidir tirar 10-15 segundos só porque era bom!

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