mortalidade

Depois dos batidos de proteínas e afins, chegou a vez de experimentar as bebidas hipersaudáveis que misturam manga com beterraba e abacate com frutas tropicais com nomes que me soam a iguaçu do parafuné. Tudo porque na proximidade da ultra exige-se abstinência quase total de álcool, excepção feita ao próximo fim de semana onde não me vejo comer um peixinho grelhado sem um vinho à maneira, e quero entreter-me com algo. Vai ser interessante observar o efeito, como observei o de deixar de fumar. Não que queira- ao contrário do tabaco – deixar de beber para sempre, deus me livre, mas é certo que o álcool tem um efeito considerável na função do fígado em gerir a energia do corpo e já fiz a experiência de treinar pós copos à noite e não gostei. Também pode estar relacionado com os edemas regulares ou inchaços nos tornozelos e pés. Não sou obcecado pelo bem estar, foi preciso uma ultra de 80km e 16 ou 18 horas de esforço previsto para me fazer ver que se calhar tudo o que me dê uma pequena vantagem marginal, é de agarrar, tal como a maratona de Madrid foi decisiva para deixar de fumar. A corrida no nível a que levei tem o lado positivo (ou negativo, depende) de antecipar problemas de saúde aos 37 que um “civil sedentário” só sentiria aos 50, talvez, uma vez que o corpo é submetido a tensões e exigências que, um dia, sentiria ao ter de subir umas escadas se fumasse e bebesse que nem um Bukowski. E se não sou de todo preocupado com a saúde no sentido de querer viver muito tempo, abomino a ideia de viver limitado e atrofiado por um corpo. My body is a cage, diz o gajo dos Arcade Fire e sim, o corpo é uma espécie de prisão material da alma, do espírito, mas quando o corpo permite gestos, como olhar para uma serra e trepar por ela acima, surfar uma onda em Peniche, correr ao lado de um cão, pedalar pela cidade ou pelo campo, ele torna-se uma extensão do próprio espírito e não existe grande diferença entre um e outro, tal como sentirá certamente o pianista em relação às suas mãos.

 

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2 thoughts on “mortalidade

    1. Já li umas coisas sobre isso há um ano, desde o It’s Starts With Food – whole 30 e o Eat And Run e fiz algumas alterações, embora não radicais. Nunca cheguei a fazer o whole 30 de passar 30 dias sem gluten e sem hidratos sem valor nutritivo, mas essa tb implicava zero lacticínios. Demasiado radical para mim, mas de facto pão branco ou massa normal não tem qualquer valor nutritivo, são só hidratos e mais nada e há muitas alternativas. Essa perspectiva ajudou-me a ver que muitos dos alimentos mais ricos em gluten são também dos pobres nutritivamente. O difícil é criar novos automatismos, por exemplo, ir ao supermercado e lembrar-me de comprar vegetais diferentes e frutas e depois ser expedito a cozinhá-los ou prepará-los antes que se estraguem todos 😀

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