e se fossem vocês a mijar sangue vermelho vivo no meio da Serra da Arrábida, sozinhos e a 10km do carro com uma serra pelo meio, ficavam preocupados?

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A actividade no strava. .
Eu também fiquei. Gosto de ser desafiado e de emoções fortes, mas ver aquele chichi vermelho opaco e escuro de sangue, sem qualquer sintoma, dor, sem nada… só pensei “se não dói, é porque pode ser mesmo grave”! Fiz contas, vi que ainda demoraria 2 horas até ao carro. A vontade de correr era moderada pela noção que se desidratasse demais podia doer-me, se me mexesse muito podia mexer uma pedra do rim, se me cansasse demais deitaria resídios tóxicos no sangue e os meus rins poderiam falhar… Eu não sentia nada e sentia-me bem, à parte sentir-me muito fraco de estar a correr quase em jejum, muito cansado da maratona da semana passada e ter um edema nas duas pernas, especialmente a direita, mas fora isso, estava supimpa.

Mas posso explicar. Tudo começou quando, há mais ou menos um ano decidir começar a corr… Não é melhor fazer fast forward. Este percurso começava com um loop um bocadinho inútil. Pode ver-se aqui no track gpx, é aquela voltinha a norte no mapa que sai de Palmela e volta a Palmela.
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Ora bem, fiz o loop, o jejum bateu-me forte e feio aos 4km, tomei um gel aptonia com sabor coca-cola e mesmo quando estava a passar outra vez por Palmela, aos 6km / 40 minutos, resolvi fazer um chichi. O meu chichi pareceu-me avermelhado e fiquei preocupado, mas  não o suficiente para tirar os óculos escuros que tinha postos e optar por voltar para o carro que estava ali a 100 metros. Pensei “é dos óculos escuros, têm lentes amarelas”. Portanto, eu sou assim. Não era cá um indício de sangue na urina que me ia fazer desperdiçar um dia maravilhoso para correr e uma deslocação até ali. E valeu a pena. Se eu morresse, tinha valido a pena, toda a minha vida. Ia em paz. Só aquela estrada de Vale dos Barris… quem nunca lá correu, lamento muito, rezarei por vós.

É simplesmente a melhor estrada de todo o sempre para correr ou para fazer outras coisas como ciclismo de estrada ou conduzir um descapotável dos anos 50 ou 60. Ao nosso lado esquerdo, a imensa serra da arrábida, mas do lado direito também uma fiada de escarpas íngremes. Aquilo parecia mesmo uma paisagem americana, mas com uma mata mediterrânica em cima. Eu nem sei por que vão as pessoas para o estrangeiro de férias. Aqui uma foto que encontrei na net, mas é má, não se vê a estrada a direito, é assim de lado e só um bocadinho.

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Bom, a única irritação prendeu-se com estar a estrear as Salomon Wings XT 3 que são de trail puro e estar ali a correr em estrada há imenso tempo. O tipo que postou este track gpx chamou-lhe “Trilhos da Arrábida”, logo pensei que fossem trilhos e não estradas. Mas tudo bem, percebi que quase todos os tracks de trail nesta serra aproveitam a estrada de vale de barris, pois permite contornar a serra de Palmela na direcção a Sesimbra e depois começar a corrida do flanco oeste para este, que me parece o mais indicado para fruir desta zona. No entanto, este track só não teve mais estradão e estrada porque eu às tantas resolvi explorar e inventar.

 

 

Afinal, lá pelo fim, o gps indicou-me um trilho para subir até ao alto da serra onde tirei estas fotos com o meu blackberry manhoso.

O lado norte, de onde vieram estas nuvens.

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Sky running! Correr quase a tocar o céu.

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Setúbal. A vegetação aqui é mais rarefeita e notam-se indícios do grande incêndio de há uns anos.

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Tróia. No dia em que os bifes se fartarem do Algarve, temos neste país “postais” que nunca mais acabam. Eu sinto uma certa euforia quando chego aos topos das serras (também pelas endorfinas do esforço), mas também me sinto um bocadinho melancólico porque gostava de partilhar isto melhor do que com umas fotos manhosas.

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No topo, a estoica bandeira de Portugal.

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Fiz o tal chichi do demónio. Não tenho fotos, lamento. Ou talvez não. Aqui desliguei o modo track do gps (seguir a rota planeada) e meti a navegação para me levar direito ao carro que, parecia, estava só a 4km em linha recta em vez de 10km que era o previsto no track original. Claro que fiz 10km à mesma. É impossível ir a direito neste sítio marcado por vales profundos, mato cerrado, quase ausência de intervenção do homem, campos cultivados etc. O calor começou a apertar mais e nas subidas já andava lentamente. O efeito era psicológico, eu não me sentia pior do que o costume depois dos 23, 24km num trail longo 6 dias depois e uma maratona… mas ali tinha receio que fosse da misteriosa doença fatal. Eis quando vejo uma ambulância de  bombeiros no meio do nada. Primeiro pensei que estava a alucinar, mas depois ouvi vozes e vi um alegre grupo de bombeiros a limpara a mata. Pensei “vou-lhes pedir boleia” mas depois imaginei o diálogo e mudei de ideias. Não me sentia mal! O resto, bom, fui a arrastar-me até ao carro, a parte final era sempre a subir. Chegado ao carro consulto rapidamente a internet para ver o que poderia ser aquela hemorragia e pronto. Graças ao meu diagnóstico extremamente apurado e capacidades clínicas, e depois de pensar em tudo à Dr. House, cheguei à brilhante conclusão que o mais provável era… o gel energético que tomei aos 4km com sabor a coca-cola!

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Era a primeira vez que o tomava (bom, tecnicamente a primeira vez foi na maratona de monsanto que foi à noite e não vi o meu chichi). Tomei-o passado 15 minutos fiz chichi com os primeiros sinais do que penso ter sido o corante artificial disto. Não tomei mais nada dos 6-7km aos 20km quando fiz chichi de novo. Se foi isto, não tenho 100% certeza, mas tudo indica que sim, até porque o meu chichi já está normal. Em breve faço a experiência de tomar isto em jejum e ver se acontecesse de novo.

Moral da história? Eu tive razão em não me preocupar por estar a mijar sangue enquanto ainda podia fazer algo quanto a isso e deixar essa preocupação para quando tivesse de correr para o carro de qualquer maneira.

Update: hoje (dia seguinte) voltei a fazer exercício e de novo sangue… desta vez não tomei gel.

The exact cause of exercised-induced hematuria remains unclear, but there are several potential causes. Trauma to the bladder walls during exercise can cause bruising and bleeding, which could cause blood in your urine. Exercise might also interfere with the process of filtering the urine from the bloodstream, allowing red blood cells to mix with it. During intense exercise, the body can redirect blood flow away from the kidney, causing red blood cells to leak into the urine. The release of hemoglobin — the protein that gives red blood cells their color — into your urine during exercise may also cause hematuria.
 

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One thought on “e se fossem vocês a mijar sangue vermelho vivo no meio da Serra da Arrábida, sozinhos e a 10km do carro com uma serra pelo meio, ficavam preocupados?

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