os mais fáceis custam mais

O treino de hoje (post abaixo) é uma ilusão. Como podem 7km planos às voltas num parque ser o tipo de treino mais difícil de uma semana que pode incluir corridas 32km com +1000 metros de subida? Numa palavra: cansaço. 32km no domingo, 8 no sábado, 11 na terça, 18 na quarta… o cansaço sente-se mesmo, nas pernas, no corpo, em pequenas dores em vários pontos e, sobretudo, na cabeça. No entanto, este tipo de corridas, a de hoje e a de domingo, ambas feitas num contexto de cansaço elevado e antes de um dia de pausa, têm um impacto muito importante. Ao correr sobre pernas cansadas estamos a simular o que sucede num treino muito longo, mas sem necessidade de o correr. As adaptações só começam a ser relevantes a partir de um ponto de cansaço ou esforço. É por isso que pessoas que corram sempre o mesmo jogg regular de 30 minutos ao mesmo ritmo acabam por chegar a um ponto em que é praticamente irrelevante, o corpo delas está tão habituado aquela distância e ritmo que se torna eficiente ao ponto de não evoluir mais. É preciso variação, estímulos diferentes, ou correr mais tempo, mais rápido, mais subidas, mais vezes, etc. No que respeita a estas corridas chamadas “de recuperação” (que não são), o  cérebro aprende a correr sobre pernas cansadas, torna a passada mais eficiente, recorre a outras fibras musculares, é forçado a adaptar-se. A nossa mente também tem de vencer o cansaço psicológico, a inércia, a vontade de dar menos uma volta ao parque e ir para casa, o que é um treino importante para a adversidade de uma prova longa e muito difícil onde a sereia do “desiste” vai ter amplo tempo para conversar connosco e tentar seduzir-nos.

 

Advertisements

5 thoughts on “os mais fáceis custam mais

  1. Tenho alguma curiosidade sobre o tipo de treino intervalado que fazes para uma prova desta dimensão. Há algum ou é só mesmo corridas com diferentes distâncias/intensidade/altimetria?

    1. fazer intervalos não é habitual, mas para o meu nível, como é a primeira vez que corro uma distância tão grande, simplesmente trabalhar velocidade não é tão importante. Só penso fazê-lo quando a distância semanal de 60-80km não causar grande cansaço ou risco de lesões. Hoje até queria fazer um time trial de 5km mas era impossível. Como aumentei o volume muito, de 30-40 para 60-80km, tenho de ter cuidado na transição. Se treinasse velocidade, de acordo com o livro Relentless Forward Progress (de onde tirei o programa) e o que vou lendo, seriam coisas como apenas 15-25 minutos por semana de velocidade nesta fase, que poderia dividir como quisesse, muito provavelmente com séries mais para o longo, tipo 1000metros x 4 . Eu próprio também não me dou bem com intervalos e prefiro testes de tempo, de 5k ou então a volta do Estádio Universitário de Lisboa, que tem 2.5k+- e onde tento bater os meus recordes nesse segmento no strava. No entanto, há um trabalho de velocidade no trail que tenho vindo a introduzir que é tentar manter a velocidade em subidas íngrimes, o que obriga a um grande esforço enquanto dura a subida. É como se fosse um “sprint”, só que sem o risco dos impactos de correr no esfalto.

      1. ah :] mas pronto, ficou ali matéria para um post, vou guardar. Eu devia fazer cross-training, quase não faço. Quando me lembro e tenho disciplina, é ioga / pilates, mas numa coisa destas devia fazer mais. Sem ser isso, não tenho praticamente tempo nenhum, gostaria de nadar ou ir a um ginásio 3x por semana. Hoje por acaso pensei na bicicleta, acho que a minha filha está quase a poder ir numa cadeirinha e assim já posso buscá-la e levá-la à creche de bicicleta e voltar ao commuting 🙂

  2. O commuting em bicicleta é dos melhores exercícios para cross-training porque poupa-se tempo (melhor que andar e melhor ainda que apanhar transportes) e nem se dá por ele (é uma deslocação que teria que ser feita de qualquer das maneiras). Neste momento a corrida é o meu cross-training do ciclismo, não que faça grandes percursos de bicicleta mas gosto de treinar as pernas e a resistência de maneira diferente. E depois há a questão dos abdominais para tentar que não haja desequilíbrio entre a parte superior e inferior do corpo, mas a vontade é geralmente pouca. Desde que experimentei correr e pedalar livremente na rua que fazer repetições e séries num ginásio me parece roçar um bocado a tortura.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s