depressed

mesmo quando estou motivado a 100% e quero dar mais, não posso. É o edema nos pés e tornozelos, agora o mijar sangue, antes era o joelho esquerdo, antes disso o direito… Não que urinar sangue me apoquente muito, mas se continuar tenho de parar uma ou duas semanas. A corrida é mesmo uma categoria à parte, deve ser o desporto em que é mais complicado atingir o potencial sem ter lesões que o impeçam. Nem que sejam as mais estapafúrdias.

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Loop monsanto e estou mesmo a mijar sangue quando corro

Hoje foi dia de testar um loop em Monsanto para treinar desnível. O ideal era ser perto de um dos acessos de carro, preferencialmente do lado Benfica / Sete Rios (o lado da minha casa). Creio ter encontrado um no meio das explorações de hoje, visíveis aqui no track.
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No início algumas explorações, depois afinei no tal loop. Aqui o perfil altimétrico. Tinha saudades de um gráfico destes…
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Aqui o loop transformado em segmento no strava. Tem 1.2km de extensão e 77m de desnível positivo.

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Em duas horas deu para subir 653 metros em 12km. Não foi mau, é um Montejunto ou Sintra compactado.
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Uma das vantagens de ter loops é ir controlando a nossa evolução num terreno específico.  Aqui o objectivo é mesmo desnível, desnível, desnível…O rácio de desnível / km do Douro Ultra trail (4500m / 80 000m * 100) é de  5.6. Este loop tem 5,4 e foi o mais extremo que encontrei até agora em Monsanto. O ideal seria uma subida com o dobro do ganho. Não deixa de ser preocupante. Foram 2 horas para fazer 12km num ritmo de ultra, o que significaria umas 16 horas para fazer 80km a este ritmo…

E chegado a casa, chichi com um bocado sangue, não foi a hemorragia de ontem, mas hei… Isto é uma coisa que pode afectar corredores de longa distância e não se sabe bem porquê, pode ser desidratação, danos na bexiga por correr com ela vazia etc. Great.

e se fossem vocês a mijar sangue vermelho vivo no meio da Serra da Arrábida, sozinhos e a 10km do carro com uma serra pelo meio, ficavam preocupados?

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A actividade no strava. .
Eu também fiquei. Gosto de ser desafiado e de emoções fortes, mas ver aquele chichi vermelho opaco e escuro de sangue, sem qualquer sintoma, dor, sem nada… só pensei “se não dói, é porque pode ser mesmo grave”! Fiz contas, vi que ainda demoraria 2 horas até ao carro. A vontade de correr era moderada pela noção que se desidratasse demais podia doer-me, se me mexesse muito podia mexer uma pedra do rim, se me cansasse demais deitaria resídios tóxicos no sangue e os meus rins poderiam falhar… Eu não sentia nada e sentia-me bem, à parte sentir-me muito fraco de estar a correr quase em jejum, muito cansado da maratona da semana passada e ter um edema nas duas pernas, especialmente a direita, mas fora isso, estava supimpa.

Mas posso explicar. Tudo começou quando, há mais ou menos um ano decidir começar a corr… Não é melhor fazer fast forward. Este percurso começava com um loop um bocadinho inútil. Pode ver-se aqui no track gpx, é aquela voltinha a norte no mapa que sai de Palmela e volta a Palmela.
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Ora bem, fiz o loop, o jejum bateu-me forte e feio aos 4km, tomei um gel aptonia com sabor coca-cola e mesmo quando estava a passar outra vez por Palmela, aos 6km / 40 minutos, resolvi fazer um chichi. O meu chichi pareceu-me avermelhado e fiquei preocupado, mas  não o suficiente para tirar os óculos escuros que tinha postos e optar por voltar para o carro que estava ali a 100 metros. Pensei “é dos óculos escuros, têm lentes amarelas”. Portanto, eu sou assim. Não era cá um indício de sangue na urina que me ia fazer desperdiçar um dia maravilhoso para correr e uma deslocação até ali. E valeu a pena. Se eu morresse, tinha valido a pena, toda a minha vida. Ia em paz. Só aquela estrada de Vale dos Barris… quem nunca lá correu, lamento muito, rezarei por vós.

É simplesmente a melhor estrada de todo o sempre para correr ou para fazer outras coisas como ciclismo de estrada ou conduzir um descapotável dos anos 50 ou 60. Ao nosso lado esquerdo, a imensa serra da arrábida, mas do lado direito também uma fiada de escarpas íngremes. Aquilo parecia mesmo uma paisagem americana, mas com uma mata mediterrânica em cima. Eu nem sei por que vão as pessoas para o estrangeiro de férias. Aqui uma foto que encontrei na net, mas é má, não se vê a estrada a direito, é assim de lado e só um bocadinho.

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Bom, a única irritação prendeu-se com estar a estrear as Salomon Wings XT 3 que são de trail puro e estar ali a correr em estrada há imenso tempo. O tipo que postou este track gpx chamou-lhe “Trilhos da Arrábida”, logo pensei que fossem trilhos e não estradas. Mas tudo bem, percebi que quase todos os tracks de trail nesta serra aproveitam a estrada de vale de barris, pois permite contornar a serra de Palmela na direcção a Sesimbra e depois começar a corrida do flanco oeste para este, que me parece o mais indicado para fruir desta zona. No entanto, este track só não teve mais estradão e estrada porque eu às tantas resolvi explorar e inventar.

 

 

Afinal, lá pelo fim, o gps indicou-me um trilho para subir até ao alto da serra onde tirei estas fotos com o meu blackberry manhoso.

O lado norte, de onde vieram estas nuvens.

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Sky running! Correr quase a tocar o céu.

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Setúbal. A vegetação aqui é mais rarefeita e notam-se indícios do grande incêndio de há uns anos.

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Tróia. No dia em que os bifes se fartarem do Algarve, temos neste país “postais” que nunca mais acabam. Eu sinto uma certa euforia quando chego aos topos das serras (também pelas endorfinas do esforço), mas também me sinto um bocadinho melancólico porque gostava de partilhar isto melhor do que com umas fotos manhosas.

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No topo, a estoica bandeira de Portugal.

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Fiz o tal chichi do demónio. Não tenho fotos, lamento. Ou talvez não. Aqui desliguei o modo track do gps (seguir a rota planeada) e meti a navegação para me levar direito ao carro que, parecia, estava só a 4km em linha recta em vez de 10km que era o previsto no track original. Claro que fiz 10km à mesma. É impossível ir a direito neste sítio marcado por vales profundos, mato cerrado, quase ausência de intervenção do homem, campos cultivados etc. O calor começou a apertar mais e nas subidas já andava lentamente. O efeito era psicológico, eu não me sentia pior do que o costume depois dos 23, 24km num trail longo 6 dias depois e uma maratona… mas ali tinha receio que fosse da misteriosa doença fatal. Eis quando vejo uma ambulância de  bombeiros no meio do nada. Primeiro pensei que estava a alucinar, mas depois ouvi vozes e vi um alegre grupo de bombeiros a limpara a mata. Pensei “vou-lhes pedir boleia” mas depois imaginei o diálogo e mudei de ideias. Não me sentia mal! O resto, bom, fui a arrastar-me até ao carro, a parte final era sempre a subir. Chegado ao carro consulto rapidamente a internet para ver o que poderia ser aquela hemorragia e pronto. Graças ao meu diagnóstico extremamente apurado e capacidades clínicas, e depois de pensar em tudo à Dr. House, cheguei à brilhante conclusão que o mais provável era… o gel energético que tomei aos 4km com sabor a coca-cola!

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Era a primeira vez que o tomava (bom, tecnicamente a primeira vez foi na maratona de monsanto que foi à noite e não vi o meu chichi). Tomei-o passado 15 minutos fiz chichi com os primeiros sinais do que penso ter sido o corante artificial disto. Não tomei mais nada dos 6-7km aos 20km quando fiz chichi de novo. Se foi isto, não tenho 100% certeza, mas tudo indica que sim, até porque o meu chichi já está normal. Em breve faço a experiência de tomar isto em jejum e ver se acontecesse de novo.

Moral da história? Eu tive razão em não me preocupar por estar a mijar sangue enquanto ainda podia fazer algo quanto a isso e deixar essa preocupação para quando tivesse de correr para o carro de qualquer maneira.

Update: hoje (dia seguinte) voltei a fazer exercício e de novo sangue… desta vez não tomei gel.

The exact cause of exercised-induced hematuria remains unclear, but there are several potential causes. Trauma to the bladder walls during exercise can cause bruising and bleeding, which could cause blood in your urine. Exercise might also interfere with the process of filtering the urine from the bloodstream, allowing red blood cells to mix with it. During intense exercise, the body can redirect blood flow away from the kidney, causing red blood cells to leak into the urine. The release of hemoglobin — the protein that gives red blood cells their color — into your urine during exercise may also cause hematuria.
 

fase 2 , mudança de planos

Fazendo o balanço das duas últimas provas (Cucos e Ecomaratona) antes dos dois meses e meio de treino finais até ao DUT, concluo que a minha confiança está longe de estar satisfatória e vou ter de ser eu a escolher exactamente os treinos que quero fazer e como, seguindo a filosofia Run by Feel do Matt Fitzgerald em que nos focamos nos treinos que nos fazem sentir bem e melhoram a confiança.

Portanto, a minha folhinha com os treinos planeados até 13 de Setembro, ardeu. Acho pouco eficaz o foco exclusivo na quilometragem semanal a rondar 60-80km todas as semanas em que na prática só uma das corridas é desafiante, a longa de sábado. É preciso qualidade e diversidade que era o que eu tinha nos planos da Garmin e não esta seca de rotina. Já percebo que corro 80km numa semana dividido por pequenos runs de 8-12km e um de 30-35km. O lixado é correr 42km de uma vez, quanto mais 80. Prefiro grandes treinos que me obrigam a uma superação psicológica. E seguir esse treino de outro no dia seguinte, em que vou com pernas cansadas, para simular o cansaço da ultra. Por isso sábado vai ser um longo com altimetria em serra (Montejunto, Sintra, Arrábida), domingo logo se vê, pode curto mas com muita altimetria, como um loop em monsanto, só porque me dá jeito fazer isso ao domingo (domingo posso ir de carro até lá e correr 100% lá, em vez de ir a correr de casa até Monsanto e voltar a corrder de lá, perdendo 40 minutos).

Segunda e Terça provavelmente descanso. Quarta ou lento de recuperação ou descanso. Não há problema de ter 3 dias de descanso. Ou mesmo parar vários dias. É importante ouvir o corpo e abrandar e estar pronto para outro treino de superação. Eu não me dou bem com uma repetição demasiado intensa de pequenos treinos, nem que seja pelo esgotamento mental de ter treinos desinteressantes, de picar o ponto. E durante a semana, treinar velocidade, algo que tem estado ausente e que no fundo é o mais prático de treinar, pois posso correr mesmo ao lado de casa e em apenas 40 minutos posso ter um workout pesado.

Vou esticar a corda ao máximo durante o mês de Julho. Se me rebentar todo, tenho Agosto para recuperar de eventuais lesões. Para já, maldito edema nas pernas e nos pés!

ainda sou lento!

Corro há cerca de um ano e pelo que percebi até agora, é muito mais fácil desenvolver endurance, ou capacidade de correr mais tempo e mais longe, do que velocidade propriamente dita. E isto faz sentido quando comparamos os recordes mundiais da maratona, meia maratona e 10 mil metros. As diferenças de minutos por km (ou velocidade) não são tão grandes como esperaríamos, ou seja, eles correm uma maratona quase à mesma velocidade de uma meia. Não é só para os atletas de elite,  vejo isto em todos os perfis do Strava, inclusive no meu e a calculadora McMillan (é googlar) consegue estimar com uma precisão extraordinária o tempo que conseguimos fazer numa distância que nunca corremos.

Uma pessoa consegue correr mais longe todas as semanas se quiser, tive essa experiência, mas se quiser bater um recode dos 5 mil metros ou 10 mil metros, pode marrar contra uma parede semanas ou meses a fio mesmo. Ou nunca conseguir, se tiver atingido o seu auge e entrar em declínio pela força da idade. É perfeitamente estúpido que me tenha inscrito no DUT. Sei isso quando vejo atletas bem mais rápidos do que eu que dizem “não, uma ultra dessas? ainda é cedo, talvez para o ano”. Quando acabo a ecomaratona que tem metade do desnível e estou a morrer, sei que estou fora da minha liga, como dizem os americanos. O DUT tem a classificação de muito difícil, um rácio de altimetria/km a rondar os 5.6 (muito difícil), igual ao dos Cucos que me deixaram de rastos e que exigiram 5 horas para conseguir 23km. Comparando, singnificava mais de 20 horas para conseguir 80km, já bem fora do tempo limite. Sonho com esta porcaria dia sim, dia não. Esta noite sonhei que me esquecia do equipamento, de partes do equipamento e andava de um lado para o outro À procura dele e entretanto cruzava-me com atletas que já estavam a caminho. Foi horrível.